O universo é tão perfeito justamente
porque alguém ou alguma coisa quis que
ele fosse assim tão perfeito.
Alguma vez você já se perguntou por que
o nosso universo é tão perfeito? Não,
tia Ne, eu não estou falando sobre isso.
Eu estou perguntando de verdade. Porque
o nosso universo realmente é tão
perfeito, mas tão perfeito, que se você
parar para prestar atenção, você
perceberá que ele não pode ter se
formado apenas por um mero acaso. Eu
estou falando de um lugar inteligente,
de um cosmos consciente, algo que é
difícil demais para ser ignorado. Mas
afinal de contas, por que que o nosso
universo é tão perfeito? Presta atenção
em tudo que eu vou te falar aqui dentro
desse vídeo hoje, porque eu tenho
certeza que as informações que eu trarei
farão a tua mente explodir tal qual o
Big Bang. Tinha um cara lá no passado
chamado Richard Feman e ele foi um dos
maiores físicos do século XX e ele tinha
um número específico que o atormentava.
Nos anos 1940, enquanto ele trabalhava
para entender como que os elétrons
interagem com a luz, trabalho esse
inclusive que lhe rendeu o prêmio Nobel,
ele se deparou com uma constante
misteriosa. Esse número parecia estar no
coração da realidade que sustentava as
equações de sua teoria. A eletrodinâmica
quântica era um número chamado de
constante de estrutura fina, um valor
próximo a 1 div por 137. O Feman, ele
dizia que todo bom físico deveria
colocar esse número na parede e ficar
olhando para ele como quem contempla um
enigma. Mas de onde veio esse número?
Ele se perguntava: "Bom, 70 anos depois,
ninguém ainda sabe responder e nós não
sabemos por esse número e não outro
número. Nós sabemos apenas que sem esse
número nenhuma equação funciona, nenhuma
explicação se sustenta. É como se fosse
um segredo impresso na própria tesitura
da realidade do nosso universo. E esse
aí não é o único mistério, não, tá?
Porque o universo está cheio, lotado,
abarrotado de constantes da natureza. Eu
estou falando de números fixos, valores
que não podem ser deduzidos apenas
através da matemática. Eu tô falando de
valores que precisam ser medidos e
descobertos na prática. Valores esses
que são os blocos fundamentais do nosso
universo. Valores que dizem como esses
blocos do cosmos interagem. Eu tô
falando de como elétrons repelem outros
elétrons, de como a gravidade mantém
planetas em órbita, de como os átomos
seguram seus elétrons, como o núcleo de
uma estrela se mantém unido. Enfim,
alguns desses números, né, são bem
famosos, tipo a velocidade da luz, a
constante de plank, já outros são bem
mais obscuros, como os acoplamentos de
quarks ou as forças no campo de rigs.
Mas todos esses aí t algo em comum,
porque sem esses valores, sem essas
constantes, a física não funciona.
Então, se a gente olhar para dentro de
nós mesmos, nós percebemos como esses
números moldam cada detalhe da nossa
existência. E ao descascar as camadas da
vida, nós vemos primeiro órgãos, depois
células, né, depois moléculas, depois
átomos. E finalmente nós encontramos as
partículas fundamentais que são os
prótons, os nêutrons e os elétrons. E
esses, por sua vez, são compostos de
quarks. E tudo isso só existe porque as
constantes da natureza têm exatamente os
valores que tem. É tipo aquela coisa,
né? A gravidade puxa, a força forte une,
a força fraca permite as transformações
nucleares e o eletromagnetismo organiza
os átomos. e a química. Então, é como se
o universo fosse um grande tabuleiro de
interações e cada número fosse a regra
precisa que permite que o jogo aconteça.
Agora, a grande pergunta aqui que não
quer calar é: onde vem esses valores?
O universo precisava ser assim mesmo? Ou
nós poderíamos imaginar outros cosmos
com outras regras, outros números? Bom,
o que acontece é que a ciência adora
brincar de si. Então eles ficam: "E se a
gravidade fosse mais forte? E se a massa
do elétron fosse diferente? E se a
velocidade da luz fosse menor?" Bom,
essas mudanças, mesmo que pequenas, elas
levariam a consequências radicais, por
se a gravidade fosse mais forte, as
estrelas queimariam seu combustível
muito rapidamente e não daria tempo pra
vida se desenvolver. E se a gravidade
fosse mais fraca? Talvez a matéria nunca
tivesse se juntado em estrelas e
galáxias. Se a massa do elétron fosse
maior, a química deixaria de funcionar e
o universo seria apenas um gás estéril.
Se o quark Down fosse mais leve que o
quark, o universo teria se enchido
apenas de nêutrons inertes, sem átomos,
sem moléculas e, por consequência sem
vida. Então, esses ICS, eles revelam
algo muito assustador. Eles revelam que
a maior parte dos universos possíveis
seria deserta, fria, sem complexidade e
sem vida. Mas o nosso universo não. O
nosso universo parece estar
milimetricamente ajustado para permitir
estrelas, planetas, moléculas e até
consciência. E é isso que os cientistas
chamam de ajuste fino da natureza. Essa
sensação de perfeição, ela não intriga
só hoje, ela já intrigava os povos
antigos, porque os babilôos viam a terra
como um disco cercado por um oceano
infinito de caos. Já os gregos e os
romanos projetavam suas mitologias nas
estrelas e os chineses falavam de cascas
celestes girando em torno da Terra. Tudo
isso colocando sempre a humanidade no
centro. Só que o que acontece é que a
ciência ela foi desmontando esse
conforto, né? Porque o próprio Copérnico
mesmo mostrou que a Terra gira em torno
do céu e não o contrário. E depois nós
vimos que o Sol é só uma estrela, dentre
bilhões de outras estrelas que existem
na Via Láctea. E a Via Láctea, gente, é
só uma galáxia entre trilhões de
galáxias que existem pelo menos dentro
do universo observável. Então, aos
poucos, nós passamos a acreditar no
princípio copernicano, né, que é um
princípio que nos diz que nós não somos
especiais e que o universo não foi feito
só para nós, porque o que a gente vê
daqui a gente poderia ver de qualquer
outro lugar. Então, que nós somos
apenas, né, meros espectadores cósmicos,
mas nem todos concordam com isso. Por
exemplo, o físico Robert Dick, na década
de 1960, ele começou a pensar no tempo
não apenas como sendo o tempo, mas
também começou a pensar no espaço. Ele
percebeu que nós não poderíamos estar
aqui em qualquer outro momento da
história cósmica, porque no começo do
universo não havia elementos pesados
como carbono e o oxigênio. Esses
elementos só surgiram após as primeiras
gerações de estrelas morrerem. E num
futuro muito distante, quando todas as
estrelas, tipo igual sol, tiverem
morrido, o universo também será inóspo.
Então ele concluiu que a vida só pode
existir nesse intervalo de tempo
privilegiado que nós estamos vivendo,
que é o chamado período de ouro da
habitabilidade. que Brandon Carter foi
além dessa afirmação lá em 1973, por
exemplo, porque no aniversário de 500
anos de Copérnico, ele apresentou pra
gente o princípio antrópico, que fala
que embora a nossa posição não seja
central no universo, ela é muito
privilegiada. Essa questão da entropia
fala que nós estamos aqui porque o
universo tem exatamente as condições
necessárias para nos permitir existir.
Então, estrelas precisam viver e morrer
por bilhões de anos para forjar os
elementos necessários para a existência
da vida. E a física, com todas as suas
constantes, ela parece conspirar para
que a vida fosse possível. Mas isso,
gente, levanta novas questões, porque se
esses valores fossem diferentes, bom, se
esses valores fossem diferentes, a coisa
seria muito feia pra gente. E os
cientistas testaram esses valores
diferentes em supercutadores, criando
universos sintéticos. E, por incrível
que pareça, quando eles alteram só um
pouquinho todos esses números e todas
essas constantes, quase sempre surge um
resultado bem bizarro, tá? Um universo
sem galáxias, sem estrelas e por
consequência sem moléculas. Eu tô
falando de universos mortos, ou seja, eu
tô falando que se a gente alterar só um
pouquinho esses números, se a gente
tirar essa precisão, automaticamente o
que nós temos são universos mortos. E o
nosso universo, ele é o contrário de um
universo morto, né? Ele é um oasis de
complexidade, ele é um mar de
possibilidades vazias. Então, como que a
gente consegue finalmente explicar essa
perfeição? Bom, aí que tá. A gente não
consegue explicar, mas há várias
hipóteses, porque alguns acreditam que
esse ajuste fino é feito através de uma
inteligência ou até de uma divindade que
escolheu esses valores para que a vida
pudesse florescer. Outros falam em uma
simulação. Dizem que o nosso universo
talvez seja uma simulação criada por
supercputadores, tipo um programa de
computador rodando em uma outra
realidade, criado porque universos com
vida são mais interessantes de serem
observados. E essa é inclusive a ideia
defendida por filósofos como Nick
Bostrom, que é um cara extremamente
inteligente. Mas também nós trabalhamos
com uma explicação dentro da hipótese do
multiverso. E essa hipótese diz que
talvez existam infinitos universos, cada
um com suas leis próprias, com suas leis
físicas próprias, né? E que a maioria
desses universos paralelos seria vazia.
Mas inevitavelmente
alguns desses universos paralelos teriam
os valores corretos para permitir a
vida. E nós estaríamos justamente em um
desses raros universos férteis, porque
somente em um universo fértil como o
nosso deve haver pessoas conscientes o
suficiente para fazer a pergunta, para
se perguntar sobre a própria hipótese da
simulação. Agora, qual dessas hipóteses
está correta? A real, gente, é que todas
as hipóteses podem estar corretas e ao
mesmo tempo nenhuma das hipóteses pode
estar correta. Então é aquilo, né?
Talvez todas, talvez nenhuma. O que a
gente sabe é que cada número, cada
constante da natureza parece estar ali
colocado com uma precisão absurda. Por
exemplo, o próton é 1836
vezes mais pesado que o elétron. Mas
assim, por que que não 2000 ou 100, né?
Que número é esse? Por que esse número?
Ninguém sabe a constante de estrutura
fina, ela continua ali, né, que é aquele
um em cima de 137. É uma espécie de um
código misterioso que sustenta todo o
eletromagnetismo. A própria constante de
plank mesmo, né, ela nasceu como um
truque matemático e ela se tornou a
chave da física quântica. A constante da
gravidade, que é medida com bolas de
chumbo por Cavendish lá em 1798,
ela até o presente momento guia os
nossos cálculos de planetas e estrelas.
Então todas essas constantes elas são
como notas musicais afinadas em uma
sinfonia cósmica perfeita. E no entanto,
a ciência ainda hesita em chamar isso de
milagre, porque para muitos é apenas
estatística, tipo, dado o número de
possibilidades que nós temos, uma
realidade teria que ser a nossa. Para
outros, é evidência de algo muito maior,
algo que escapa do acaso. No fim, talvez
o mistério seja exatamente esse. A
pergunta aqui não é só como nós estamos
aqui, mas sim por nós estamos aqui. que
o universo ele até parece ser
indiferente, ser vasto, ser frio, mas ao
mesmo tempo ele é exatamente do jeito
que ele precisa ser, para que as
estrelas brilhem, para que as moléculas
se unam, para que os olhos se abram e
contemplem o céu. E nós sabemos que nós
não somos centrais, claro, mas talvez
nós sejamos inevitáveis dentro desse
equilíbrio improvável. E quando a gente
pensa nisso, né, quando a gente lembra
lá do Fman encarando aquele número na
parede, aquele 1 sobre 137, a gente
entende o peso dessa pergunta e o
universo acaba sendo tão perfeito porque
talvez ele não pudesse ser de outra
forma. ou quem sabe o universo é tão
perfeito justamente porque alguém ou
alguma coisa quis que ele fosse assim
tão perfeito.
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