Transcrição
Na penumbra de um tribunal federal em
Nova York, nomes poderosos surgem entre
linhas de documentos antes, lacrados,
nomes que ecou nos salões dos bastidores
de uma teia global de silêncio e
privilégio. Mas desta vez algo escapa e
o mundo já não pode mais deixar de
enxergar. Uma mulher de origem
brasileira, até então pouco conhecida,
se coloca no centro da explosão e ela
não está sozinha. Eu sou Carla
Buquerque, jornalista investigativa, e
você está no IC News, o canal que
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a sociedade. Curta esse vídeo, se
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Começamos com a liberação de mais de 900
páginas de documentos judiciais no
processo civil movido por Virgínia Gfre,
uma das principais denunciantes dos
crimes de Jeffrey Epstein. São registros
de voo, transcrições de depoimentos,
logs de entrada e saída de prioridades,
e-mailos internos e menções explícitas a
figuras do mais alto escalão global. A
liberação foi ordenada por um juiz
federal após anos de disputas judiciais
para manter os arquivos selados. Mas o
que realmente assusta é o conteúdo.
Entre os nomes citados, não como
acusados formais, mas como
frequentadores,
contatos ou alvos de menções. Aparecem
membros da realeza britânica,
empresários da tecnologia,
ex-presidentes,
senadores americanos e até ex-preiros
ministros europeus. Figuras como Bill
Clinton, Donald Trump, o Príncipe Andrew
e o advogado Alan Darchitz voltam a
ocupar os holofotes. Agora sob a lupa de
documentos oficiais, mesmo que seus
nomes já tenham sido ventilados por
anos, mas um nome novo aparece nos
arquivos e passa a chamar atenção da
opinião pública internacional. Marina
Lacerda, brasileira, atualmente com
pouco mais de 40 anos. Marina seria uma
das jovens que frequentaram propriedades
de Epstein entre 1998 e 2004. A menção a
ela ocorre em três trechos distintos dos
documentos, sendo classificada ora como
testemunha, ora como participante de
viagens, ora como possível vítima de
aliciamento. E o que mais espanta nos
arquivos, a menção de que Marina teria
relatado fatos internos de bastidor,
inclusive sobre conflitos entre Epstein
e o então empresário novaiorquino que
viria a se tornar presidente dos Estados
Unidos. O nome de Trump aparece
diretamente vinculado à mansão da
Flórida, com registros de entrada entre
os anos de 2000 e 2002. Em determinado
trecho, Marina menciona um
desentendimento presenciado por ela
entre Epstein e Trump, relacionado a um
desacordo sobre garotas. Até agora,
nenhum desses trechos constitui prova de
crime, mas a coincidência dos registros,
a sobreposição de nomes e a frequência
com que Marina é citada intrigam até os
promotores. Documentos de migração
mostram sua entrada nos Estados Unidos
em 1998 com visto de estudante e
posteriormente sua estadia em New
Jersey. Por quase 5 anos, Marina teria
feito parte de uma rede de recrutamento
operada por uma das facilitadoras de
Epstein, segundo o inquérito. Mas por só
agora Marina fala? Fontes apontam que
ela teria colaborado com investigadores
desde 2021 sob cláusulas de
confidencialidade.
A revelação de seu nome nos documentos
se deu por um pedido da defesa de GFRE,
que alegou ser fundamental entender o
papel das testemunhas para reforçar a
validade de suas denúncias. Há ainda
outro ponto crítico, a reação do
Congresso americano. Parlamentares e do
partido republicano, supostamente mais
alinhados ao ex-presidente Trump, estão
divididos. parte quer abrir uma
investigação independente com base na
seven member row, regra que obriga
órgãos do executivo a entregarem dados
solicitados por pelo menos sete membros
de um comitê. A ideia seria acessar
registros completos do FBI, incluindo
nomes ainda não revelados ao público. O
impasse cresce porque a ala mais próxima
de Trump quer barrar a abertura de novos
arquivos. Mas há quem diga que o
movimento conservador teme mais a
revelação de nomes do setor empresarial
do que propriamente políticos, uma vez
que vários CEOs de plataformas digitais,
bancos e fundos de investimento também
aparecem em logs de voos e listas de
contato de Epstein. Enquanto isso, nos
bastidores circula informação de que
novos arquivos podem ser liberados em
abril e que Marina Lacerda poderá
apresentar depoimento público, algo que
incendiaria o debate político, midiático
e judicial. As cortinas estão caindo. À
medida que o conteúdo dos documentos
judiciais se torna público, um novo
capítulo ganha corpo, não mais centrado
apenas nos nomes que outrora pareciam
intocáveis, mas nas figuras periféricas
que silenciosamente
sustentaram toda a engrenagem. São as
testemunhas esquecidas, negligenciadas,
desacreditadas por anos, mas que agora
voltam ao centro com peso documental. E
nesse redemoinho, Marina Lacerda não é a
única. Entre os arquivos surgem
registros de outras cinco mulheres que
se mantiveram sob anonimato até janeiro
de 2024. Algumas tiveram seus nomes
ocultados por anos em processos cíveis,
agora reaparecem com relatos
consistentes que coincidem entre si em
aspectos de tempo, local, padrão de
abordagem e principalmente nos nomes
mencionados como frequentadores
recorrentes das propriedades de Epstein.
Uma dessas mulheres, identificada apenas
como JS detalha sua entrada na casa de
Palm Beach por meio de uma conhecida
brasileira descrita como carismática,
jovem e que parecia ter a chave da casa.
A referência coincide com o período em
que Marina teria vivido nos Estados
Unidos com visto estudantil. Outra
testemunha descreve que as meninas
viviam em apartamentos alugados próximos
às propriedades de Epstein e que algumas
recebiam dinheiro, outras apenas
promessas. E aqui entramos em um ponto
crucial da engrenagem, o papel dos
facilitadores.
Os arquivos reforçam que a estrutura
montada por Epstein era altamente
profissionalizada, com funções
específicas. recepcionistas,
motoristas, cuidadores de imagem,
captadoras e até responsáveis por
tranquilizar as meninas. Marina é
mencionada por uma das testemunhas como
alguém que parecia ter sido vítima antes
de se tornar colaboradora. Sob a lente
da criminologia, esse tipo de transição
é típico em estruturas de aliceamento
sistêmico. Vítimas que expostas a longos
períodos de manipulação e chantagem
emocional passam a executar ordens por
medo, dependência ou tentativa de
sobreviver naquele universo. Entre os
relatos, um padrão se repete com
insistência, o nome de um advogado
famoso com presença ativa nos bastidores
do caso. Surge como alguém que sabia das
regras da casa e que acompanhava EPS em
jantares nos quais as meninas eram
apresentadas como acompanhantes de
empresários. Ele nega todas as acusações
e afirma que jamais teve qualquer
conduta imprópria, mas sua recorrência
nos depoimentos levanta questões que
ainda carecem de apuração formal. Outra
figura de destaque mencionada
repetidamente é uma mulher loira com
sotaque europeu que teria coordenado
rotinas e punições dentro da ilha
particular. Ela seria, segundo as
vítimas, a responsável por disciplinar
as garotas que saíam do roteiro ou que
tentavam se comunicar com o exterior.
Até hoje não há acusação formal contra
essa mulher, mas investigações
independentes seguem buscando sua
identidade. As testemunhas não apenas
reforçam acusações, elas também
questionam decisões judiciais passadas.
Uma delas afirma que foi instruída por
um promotor em 2011, a não entrar em
detalhes durante o depoimento, porque o
caso estava sendo resolvido por fora.
Isso pode reacender a discussão sobre o
acordo de não persecução penal fechado
entre Epstein e a promotoria da Flórida
em 2008. Um pacto que blindou diversos
envolvidos e selou documentos por mais
de uma década. Do ponto de vista
político, o impacto já é sentido. Um
grupo de deputados do Congresso dos
Estados Unidos, liderado por uma
parlamentar da Califórnia,
protocolou um pedido formal para a
reabertura de todos os casos, envolvendo
o nome de Virgínia Gifre. O documento
cita expressamente o papel das
testemunhas recém-reveladas e expõe a
criação de um fundo federal para apoiar
juridicamente
outras potenciais vítimas que ainda não
se manifestaram por medo de retalhações.
A pergunta que fica é inevitável. Por
que tantas pessoas ao redor do mundo
sabiam ou ao menos suspeitavam e ninguém
agiu? As testemunhas relatam tentativas
de denúncia, e-mails enviados,
telefonemas ignorados. Algumas dizem ter
procurado jornalistas que, segundo elas,
foram orientados a engavetar a história.
Esse ciclo de impunidade sistêmica, onde
vítimas gritam e ninguém escuta, expõe
uma fragilidade civilizacional.
o silêncio como método, o poder como
escudo e a desumanização como ferramenta
de controle. Ao todo, mais de 180 nomes
aparecem direta ou indiretamente ligados
à rede de Epstein. Destes, pelo menos 38
foram mencionados por vítimas em
diferentes momentos. De diários íntimos
a depoimento sobre juramento. As
categorias são diversas. Alguns aparecem
como frequentadores,
outros como observadores passivos e há
os facilitadores. Nessa última classe
concentram-se ex-funcionários,
assistentes, motoristas, pilotos e
pessoas que supostamente coordenavam a
logística dos encontros. Quatro
ex-funcionárias de confiança foram
apontadas como peças chave no esquema.
cuidavam da aparência das casas, das
jovens, das reservas e das
justificativas
sociais para as visitas. Mas o ponto
mais sensível é a lista de nomes
públicos. Há ali políticos, membros da
realeza, artistas, executivos de
empresas multinacionais,
acadêmicos renomados e pelo menos dois
ex-diretores de agências de
inteligência. Um dos nomes mais
recorrentes nos depoimentos é o do
Príncipe Andrew, que já enfrenta um
acordo judicial firmado em 2022 com
Virgínia Gfre, uma das principais
vítimas e sobreviventes do esquema. O
valor do acordo nunca foi divulgado
oficialmente, mas documentos vazados
sugerem que superou 10 milhões de
dólares. O príncipe nega qualquer
conduta ilegal. Outro nome citado
repetidamente é o do advogado Alan
Darchitz, que processou e foi processado
por Virgínia Gfre. Em 2023, os dois
anunciaram um acordo que encerrava as
ações com GFR, afirmando não saber com
certeza se estava correta ao acusá-lo.
Mesmo assim, o nome dele aparece em
voos, listas de hóspedes e menções
cruzadas por outras três testemunhas.
Darwidz nega todas as acusações.
A aparição do nome de Donald Trump nos
arquivos causou novas repercussões
políticas. Embora o ex-presidente tenha
rompido com Epstein em meados de 2004,
após um conflito em Maralago documentado
em registros da polícia de Paul Beach,
ele é citado por GFR como alguém que
frequentava as festas e que sabia que
meninas jovens circulavam por ali. Trump
nega qualquer envolvimento em crimes e
afirma ter expulsado Epstein, assim que
soube de comportamento inapropriado.
Um elemento novo nos documentos de 2024
é a menção a códigos de intercâmbio, uma
espécie de linguagem cifrada utilizada
para descrever encontros, pagamentos e
deslocamentos.
Termos como massagem educativa,
aula de etiqueta, projeto de mentoria e
até bolsa de estágio, surgem como
eufemismos para atividades que, segundo
testemunhos, envolviam abuso sexual.
Essas codificações aparecem em e-mails,
anotações, em cadernos e até planilhas
de agendamento. O FBI agora analisa o
conteúdo cruzando com calendários,
reservas de hotel e registros de voo da
aeronave Lolita Express, como ficou
conhecido o jato privado de Epstein. E
ainda o aspecto internacional da rede.
Uma planilha incluída nos documentos
revelados mostra a circulação de jovens
com passaportes da Romênia, Tailândia,
Brasil e Ucrânia. No caso brasileiro,
chama atenção a presença de três nomes
femininos com idade entre 17 e 19 anos,
listadas como tradutoras culturais em
uma viagem entre São Paulo e Marraque em
2006. A Interpol já está em contato com
autoridades brasileiras para rastrear
quem são essas pessoas e se houve crime
na emissão de vistos e passaportes. Até
o momento, o Itamarat afirma não ter
sido formalmente notificado, mas
confirma que iniciou apurações internas.
Alguns nomes foram apagados digitalmente
dos registros, mas perícias forenses já
conseguiram recuperar parte desses
dados. revelando o que parece ser uma
tentativa deliberada de proteger
determinadas figuras. Diante disso tudo,
fica a pergunta: Quantos desses nomes
ainda permanecem ativos, poderosos e
protegidos?
As estruturas não ruíram por acaso. Elas
foram construídas com precisão,
calculadas ao detalhe, protegidas por
códigos de silêncio, acordos
extrajudiciais e, principalmente,
redes de influência que atravessavam
fronteiras, partidos, empresas e
instituições. A essa altura da
investigação, já não falamos apenas de
crimes individuais, mas de um sistema
sofisticado de proteção, em alguns casos
de promoção de predadores. Um dos
aspectos mais perturbadores revelados
nos documentos de 2024 é o funcionamento
das engrenagens jurídicas que blindaram
Epstein e seus associados por mais de
duas décadas. O acordo de não persecução
de 2008 não só arquivou acusações, como
garantiu imunidade a potenciais
conspiradores.
Linguagem propositalmente vaga que
encerrou investigações sem dar nome aos
nomes. Esse acordo agora sob revisão por
comissões independentes nos Estados
Unidos foi assinado pelo então
procurador federal Alexander Acosta. o
mesmo que viria a ocupar um cargo no
alto escalão do governo norte-americano.
anos depois, a Costa afirma ter feito o
melhor acordo possível com base no que
havia disponível na época, mas a
documentação sugere que havia sim
múltiplos relatos, evidências físicas e
testemunhos ignorados. deliberadamente.
Esse tipo de engenharia jurídica, selar
casos, bloquear depoimentos e isolar
evidências só é possível com anuência ou
omissão de setores inteiros do sistema.
Os arquivos mostram que promotores que
tentaram seguir adiante com acusação
foram removidos dos casos ou
transferidos. Ao mesmo tempo, advogados
ligados à defesa de Epstein negociavam
diretamente com autoridades, sem
envolver as vítimas. O papel da mídia
também entra em cheque. Registros
obtidos por meio da chamada seven member
row, que permite que membros do
Congresso acessem documentos sigilosos
do executivo, revelam que pelo menos
dois conglomerados de comunicação teriam
vetado pautas ligadas ao caso, citando
interesse comercial e potencial
litigioso. Em 2023, um ex-executivo de
um desses grupos prestou depoimento
sigiloso, afirmando que recebeu ordens
diretas para não mencionar nomes como
Alan Daswitz, Bill Clinton ou Donald
Trump, sob risco de demissão. A
veracidade das declarações ainda está
sendo apurada, mas foram suficientes
para abrir uma subcomissão específica no
Senado americano. A complexidade do
esquema ultrapassa o território
americano. A Interpol já iniciou diálogo
com autoridades do Reino Unido, França,
Marrocos e Brasil, buscando conexões
entre as casas utilizadas por Epstein e
transações bancárias identificadas como
possivelmente vinculadas a pagamento de
silêncios ou aliciamento indireto. Entre
os documentos analisados, há evidências
de doações vultuosas feitas por Epstein
a universidades, institutos científicos
e até fóruns internacionais de direitos
humanos. A estratégia não era nova e
funcionava. Cada vez que o nome dele
surgia em acusações, era rapidamente
abafado por seus supostos compromissos
com a filantropia, a educação e a
pesquisa científica. O mais alarmante é
que parte dessas doações está sob
investigação por suposta lavagem de
dinheiro. Fundos teriam sido
transferidos de offshores ligadas ao
paraíso fiscal de Sand Kits and Navies.
O mesmo que aparece em outras
investigações internacionais envolvendo
tráfico de pessoas. A pergunta agora não
é mais apenas quem sabia, é quem se
beneficiou. As investigações mais
recentes revelam que ao menos quatro
grandes empresas listadas em bolsa
receberam recursos ou favores
intermediados por pessoas ligadas à
Epstein. Em troca, garantiam palestras,
acessos VIP, blindagens institucionais.
Nomes de diretores, ex-embaixadores e
consultores internacionais foram citados
como parte desse mecanismo de proteção
reputacional. Nenhum deles foi acusado
formalmente e todos negam envolvimento
direto. Ainda assim, a conexão entre
essas figuras e o ecossistema de
impunidade não pode mais ser ignorada.
Nesse labirinto de omissões e vantagens,
as vítimas se tornam duplamente
violentadas, primeiro pelo abuso, depois
pela estrutura que garante impunidade a
seus algozes. O caso Epstein parecia ter
sido encerrado com sua morte na cela
federal em Manhattan em 2019, mas o que
os documentos liberados em 2024 revelam
é que não houve encerramento, apenas
silêncio.
E silêncio nesse caso não foi ausência
de ruído, foi uma operação meticulosa
para encobrir estruturas inteiras. Ao
final de 900 páginas liberadas, o que se
revela não é apenas um catálogo de
crimes, é um reflexo de como o poder, o
dinheiro e a impunidade podem ser
articulados para proteger um sistema
predador. A reabertura do caso por força
judicial e por pressão pública, gerou
ondas que atingem diversas instâncias.
Políticos têm sido pressionados a
explicar suas conexões. Universidades
passaram a revisar doações milionárias
recebidas de fundações ligadas à
Epstein. Agências federais enfrentaram
questionamentos sobre a sua atuação ou
omissão durante décadas e o impacto
social não é menor. sobreviventes,
muitas vezes silenciadas por anos, agora
reencontrar um espaço para narrar suas
histórias com respaldo documental. Se
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