Transcrição
Imagine um mundo onde você dirige um carro elétrico, silencioso, potente e não poluente, mas nunca precisa parar
por 40 minutos para recarregá-lo em uma tomada. Imagine um mundo onde você não depende do lítio minerado na China ou do
cobalto extraído por crianças no Congo. Imagine que o combustível para essa máquina do futuro não vem de uma mina,
mas de uma plantação e que ele já está disponível em 40.000 postos de gasolina
espalhados pelo Brasil. Parece ficção científica para os engenheiros da Tesla
e para os estrategistas de energia em Washington e Peekim, isso soa como um
pesadelo de mercado. Mas para os cientistas brasileiros do IPEN,
Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, e dos Laboratórios da USP e da Unicamp, isso é realidade. É a
tecnologia da célula de combustível a etanol. E ela é a peça que faltava no
quebra-cabeça da energia global. Este dossiê investiga a terceira via da
energia. O mundo foi convencido de que a única solução para o aquecimento global
é encher as ruas de carros à bateria. É uma narrativa poderosa, financiada por
trilhões de dólares e defendida por governos na Europa e nos Estados Unidos.
Mas essa narrativa esconde uma falha geológica, a dependência de minerais críticos. Quem controla o lítio controla
o futuro. E hoje quem controla o lítio é a China. O Brasil, no entanto, decidiu
não jogar esse jogo. Decidiu criar o seu próprio tabuleiro. E a peça principal
desse jogo é uma molécula que nós dominamos há 40 anos, mas que agora,
graças à nanotecnologia brasileira, revelou um segredo atômico capaz de mudar tudo. O hidrogênio verde escondido
dentro do etanol. Para entender a magnitude da inovação brasileira, precisamos primeiro de secar
a armadilha da bateria. A indústria automobilística global, em um movimento
de manada, decidiu eletrificar tudo. A premissa é nobre, parar de queimar petróleo. Mas a solução técnica
escolhida a bateria de íons de lítio é bruta. Uma bateria de carro elétrico
pesa 500 kg. Ela carrega consigo uma pegada ambiental gigantesca vinda da
mineração. Ela é cara e, logisticamente, ela é um pesadelo.
Para eletrificar a frota mundial, seria necessário refazer toda a infraestrutura elétrica das cidades. Seria preciso
instalar milhões de carregadores e seria preciso cavar a terra numa escala nunca
vista para achar os metais raros necessários. Os Estados Unidos perceberam tarde demais que entraram em
um beco sem saída estratégico. Ao apostarem tudo nas baterias, eles entregaram a chave da sua mobilidade à
China, que processa 80% das matérias primas de baterias do mundo. É uma
dependência pior do que a do petróleo do Oriente Médio. Washington está em alerta. Eles precisam
de uma alternativa e a alternativa, ironicamente, pode estar no país que eles sempre trataram como o quintal
agrícola do hemisfério, o Brasil. A inovação brasileira não é queimar
álcool. Isso é o que fazemos desde o Proáclol, nos anos 70. A revolução atual
é molecular. Cientistas brasileiros, em parceria com empresas como a Nissan, que
escolheu o Brasil como centro global dessa pesquisa, desenvolveram um sistema chamado célula de combustível de óxido
sólido, CFC. O conceito é genial em sua simplicidade. O carro é elétrico, mas
ele não tem uma bateria gigante. Ele tem um pequeno tanque de etanolador
químico a bordo. Funciona assim. Você abastece com etanol comum no posto da
esquina. Dentro do carro, o reformador quebra a molécula do etanol usando calor
e catalisadores desenvolvidos no Brasil. Dessa quebra, ele extrai o hidrogênio.
Esse hidrogênio é então jogado na célula de combustível, onde reage quimicamente
e gera eletricidade que alimenta o motor elétrico. O que sai do escapamento?
vapor d'água e uma quantidade ínfima de carbono que foi absorvida pela cana de
açúcar quando ela cresceu. O ciclo é neutro. O resultado é um carro elétrico
que tem a autonomia de um carro à gasolina, abastece em 3 minutos e não depende de minerais chineses. Essa
tecnologia é o santo grau da logística. Ela resolve o problema da infraestrutura. O Brasil não precisa
construir milhões de tomadas. Nós já temos os postos, já temos a distribuição, já temos a agricultura.
Transformamos a nossa infraestrutura existente, considerada velha pelos futuristas do Vale do Silício, na base
para o tecnologia mais avançada do mundo. É o que os economistas chamam de liproging, pular uma etapa do
desenvolvimento. Enquanto a Europa gasta bilhões para criar uma rede de hidrogênio, que é um
gás difícil de transportar e armazenar, o Brasil descobriu que a melhor forma de transportar hidrogênio é na forma
líquida dentro da molécula de álcool. O etanol é, na verdade, uma bateria
líquida natural. A reação internacional a essa descoberta brasileira foi da
inicialmente de ceticismo. A narrativa dominante era o carro elétrico de
bateria venceu. Mas à medida que os protótipos começaram a rodar e os dados
começaram a ser publicados, o ceticismo deu lugar à preocupação.
A Europa, que baniu os motores à combustão para 2035, começou a olhar para os dados
brasileiros com outros olhos. Se o Brasil consegue ser carbono neutro usando biocombustível, porque eles
destruiriam toda a sua indústria para depender da China e os Estados Unidos?
A reação americana foi de um pragmatismo predatório. Agências de energia e montadoras americanas começaram a enviar
comitivas para o Brasil. O interesse não é apenas no carro de passeio. O
interesse real, o que faz os generais e os CEOs perderem o sono, é a escalabilidade dessa tecnologia para
coisas maiores. Se você pode extrair hidrogênio do etanol para mover um carro, você pode fazer o mesmo para
mover um caminhão, um navio e talvez o prêmio máximo, um avião. A aviação é o
setor que a bateria não consegue resolver. Baterias são pesadas demais para aviões comerciais. Um Boeing
elétrico, a bateria não conseguiria sair do chão com passageiros. A única solução para descarbonizar a aviação é o
combustível líquido sustentável. E o Brasil silenciosamente se tornou a Arábia Saudita desse novo petróleo
verde. A Imbraer gigante nacional já está testando essas tecnologias e a
Boeing e a Airbus estão assistindo, aterrorizadas com a possibilidade de ficarem para trás na corrida pelos céus
limpos. Mas a inovação brasileira incomoda. Ela incomoda porque descentraliza o poder. No modelo da
bateria, o poder está na fábrica de células, Gigafactory e na mina de lítio.
No modelo do biohidrogênio brasileiro, o poder está no campo, na tecnologia agrícola e na química de refino, áreas
onde o Brasil é imbatível. Isso ameaça a hegemonia tecnológica do norte global.
Eles querem vender a bateria para nós, não comprar a nossa solução. Existe uma
pressão diplomática sutil para desqualificar o etanol brasileiro. Lobistas na Europa tentam classificar a
cana de açúcar como uma cultura que ameaça a produção de alimentos ou desmata a floresta, apesar de a cana ser
plantada a milhares de quilômetros da Amazônia. É uma guerra de narrativas.
Eles tentam pintar a nossa tecnologia limpa como suja para proteger o mercado de suas tecnologias limpas, que na
verdade dependem de carvão chinês para produzir as baterias. O Brasil está sentado sobre uma mina de ouro
renovável. Temos a tecnologia, temos a matériapra e temos a escala. Mas a
história nos ensina que ter a vantagem não garante a vitória. A indústria global joga sujo. Espionagem industrial
nas universidades brasileiras. Tentativas de compra de startups de biotecnologia nacionais e a imposição de
padrões internacionais que favorecem a bateria são as armas dessa guerra. A
descoberta de que o etanol é o melhor portador de hidrogênio do mundo colocou o Brasil no mapa da geopolítica
energética de uma forma que o pré-sal nunca conseguiu. O petróleo é o passado,
o hidrogênio é o futuro e o Brasil descobriu o atalho para o futuro. Mas há
um setor onde essa tecnologia não é apenas uma questão de mercado, mas uma questão de sobrevivência estratégica e
defesa nacional, um setor onde os Estados Unidos não aceitam concorrentes. E é para lá que a nossa investigação vai
agora. O carro elétrico é apenas a ponta do iceberg. A verdadeira revolução está
acontecendo a 10.000 1000 m de altitude, onde o Brasil se prepara para desafiar o
monopólio dos céus com o combustível que pode salvar a aviação mundial ou
torná-la refém da tecnologia brasileira. Se o carro elétrico a bateria é um
problema logístico, o avião elétrico à bateria é uma impossibilidade física,
pelo menos para a aviação comercial como a conhecemos. A física é implacável.
Baterias têm uma densidade energética baixa. Para fazer um Boeing 777 cruzar o
Atlântico usando baterias de lítio, ele teria que carregar tanto peso em baterias que não sobraria espaço para um
único passageiro, nem mesmo para os pilotos. O avião seria um tijolo voador.
A indústria aeroespacial sabe disso. A Boeing sabe, a Airbus sabe e a NASA
sabe. O sonho da eletrificação total dos céus é, por enquanto, uma miragem
distante. Mas a pressão para descarbonizar a aviação é real e imediata. Leis europeias e americanas
estão fechando o cerco. Se os aviões não pararem de queimar querosene fóssil,
eles serão proibidos de voar. A indústria enfrenta uma crise existencial
e a tábua de salvação, a única tecnologia viável para manter o mundo voando nas próximas décadas, tem um nome
SF, Sustainable Aviation Fuel, ou combustível sustentável de aviação. E é
aqui que o mapa da geopolítica se volta novamente para o Brasil. Se o nosso país é a Arábia Saudita do etanol para
carros, ele é o pré-sal verde do combustível de aviação. O mundo
descobriu com um misto de alívio e pânico estratégico que não consegue produzir saf
um custo viável sem o Brasil. Nós temos a Terra, o Sol, a biomassa e
crucialmente a tecnologia de refino biológico. O SAF não é uma tecnologia simples, não
é colocar álcool de posto no tanque de um jato. Motores a jato operam em condições extremas, temperaturas de 50º
negativos na altitude de cruzeiro, calor intenso na combustão. O combustível não
pode congelar, não pode evaporar rápido demais, tem que ter uma densidade de
energia brutal. A tecnologia para transformar cana de açúcar, soja, macaúba ou gordura animal em
bioquerosene de alta performance é química fina de ponta e o Brasil domina
essa alquimia. A Imraer, a terceira maior fabricante de aeronaves do mundo e
orgulho da tecnologia nacional não está assistindo a essa corrida da arquibancada. Ela é uma das
protagonistas. Em seus angares em São José dos Campos e em Gavião Peixoto, uma
guerra silenciosa de inovação está acontecendo. Enquanto startups do Vale do Silício mostram renderizações em 3D
de aviões elétricos que nunca voaram, a Embraer já voa com 100% de biocombustível. O avião agrícola Ipanema
movido a etanol foi o pioneiro, o pai dessa tecnologia. Mas agora o jogo é com
jatos executivos e comerciais. A estratégia brasileira é a do drop in.
Isso significa criar um combustível que seja quimicamente idêntico ao querosene
fóssil, mas feito de plantas. A vantagem estratégica é colossal. Você não precisa
mudar o avião, não precisa mudar o motor, não precisa mudar o aeroporto. Você apenas muda o líquido no tanque. É
a solução perfeita para a frota mundial existente. E o Brasil está liderando a certificação internacional desses
combustíveis. Mas essa liderança atraiu tubarões. A tentativa de compra da Imbraer pela gigante americana Boeing,
iniciada em 2018 e cancelada dramaticamente em 2020 deve ser lida sob
essa ótica. A narrativa oficial era comercial. A Boein queria os jatos
regionais da Imbraer para competir com a Herbas. Mas analistas de inteligência
econômica apontam para uma camada mais profunda. A Boeing queria acesso ao
cérebro de engenharia da Imbraer e a sua integração profunda com a cadeia de biocombustíveis brasileira. Controlar a
Embraer seria ter um pé dentro do laboratório de energia do futuro. Quando o negócio desmoronou oficialmente por
causa da crise da pandemia, houve um suspiro de alívio nos setores nacionalistas das Forças Armadas
Brasileiras. A soberania sobre a tecnologia aeroespacial e energética
permaneceu em casa. A reação dos Estados Unidos e da Europa, a capacidade brasileira de produzir saf é
esquizofrênica. Por um lado, eles precisam desesperadamente do nosso combustível para cumprir suas metas
climáticas. As companhias aéreas americanas, como a United Airlines, já estão assinando contratos de compra
futura de bilhões de litros de SAF brasileiro. Eles sabem que o milho
americano ou a beterraba europeia não tem a eficiência energética da cana
brasileira. Por outro lado, eles temem a dependência. A ideia de que a aviação da OTAN, a
força aérea mais poderosa do mundo, possa depender de biocombustível importado do hemisfério sul, é
inaceitável para a doutrina de segurança nacional do Pentágono. A resposta a isso é a guerra regulatória. A Europa tenta
impor barreiras não tarifárias, criando regras complexas sobre uso da terra e
desmatamento indireto, que curiosamente penalizam a produção brasileira enquanto
protegem a produção ineficiente europeia. É protecionar de ecologia. Eles querem o combustível,
mas querem ditar o preço e as regras de produção. No entanto, a inovação brasileira continua a avançar para
fronteiras que deixam os concorrentes atordoados. A próxima fronteira é o hidrogênio verde aeronáutico. A Imbraer
apresentou conceitos de aeronaves, a família energia, que usam células de
combustível a hidrogênio para voar. Mas ao contrário dos projetos europeus que
exigem hidrogênio gasoso em tanques criogênicos pesados e perigosos, a
aposta brasileira é a mesma dos carros. hidrogênio líquido transportado na forma
de etanol ou óleos vegetais reformado a bordo. Isso resolveria o maior problema
logístico da aviação do futuro. Aeroportos não precisariam de infraestrutura de hidrogênio líquido a
250º negativos. Eles continuariam usando tanques líquidos normais. O avião seria
sua própria refinaria voadora. Se o Brasil conseguir fazer isso funcionar em escala comercial, a vantagem competitiva
da Imbraer será avaçaladora. Um avião que voa limpo, abastece rápido em
qualquer lugar e custa menos para operar. A CIA e as agências de inteligência econômica monitoram de
perto os cientistas do ITA, Instituto Tecnológico de Aeronáutica, e os
Engenheiros da Embraer. Há um fluxo constante de tentativas de head hunting,
recrutadores estrangeiros. tentando levar esses especialistas para trabalhar em Seattle ou Tuluse.
A fuga de cérebros na área aeroespacial é uma ameaça real à segurança nacional.
Cada engenheiro que sai leva consigo um pedaço do segredo industrial brasileiro. Mas há um setor onde essa tecnologia
deixa de ser apenas uma questão de mercado e se torna uma questão de vida ou morte. O setor de defesa. A força
aérea brasileira, FAB e a Marinha do Brasil olham para a revolução dos
biocombustíveis e das células de combustível, não como uma forma de salvar o planeta, mas como uma forma de
garantir a sobrevivência operacional em caso de guerra. Imagine um cenário de
conflito global onde o fornecimento de petróleo é cortado. As rotas marítimas
são bloqueadas. Países que dependem de petróleo importado teriam suas frotas de
caças e tanques paralisadas em semanas. O Brasil, com sua capacidade de produzir
combustível de alta performance em seu próprio território, a partir de suas próprias plantações, teria uma
resiliência estratégica única. Nossos caças gripen, nossos blindados guarani,
nossos navios poderiam continuar operando indefinidamente, alimentados pela agricultura nacional. Essa
independência energética militar é o pesadelo de qualquer potência que queira
exercer pressão sobre o Brasil. A capacidade de dizer não a um embargo de petróleo é o verdadeiro significado de
soberania no século XX. E é por isso que os Estados Unidos estão de olhos bem
abertos. Eles sabem que a tecnologia que começa em um carro da Volkswagen ou em
um avião da RAER pode acabar no tanque de um veículo militar. A batalha pelos
céus não é apenas sobre quem vende mais passagens aéreas, é sobre quem domina a
tecnologia de propulsão do futuro. O Brasil entrou nessa corrida como um azarão, mas a combinação de recursos
naturais únicos com uma engenharia de classe mundial nos colocou na pole
position. Os EPCA reagiram com tentativas de compra, barreiras
comerciais e vigilância. Mas a inovação brasileira é teimosa, ela brota da
terra. No entanto, a tecnologia civil é apenas a face pública dessa moeda. Nos
laboratórios mais fechados do país, longe dos holofotes da mídia, existe um projeto ainda mais ambicioso, um projeto
que visa aplicar essa revolução energética para resolver o maior gargalo da defesa nacional na Amazônia. Uma
máquina que precisa operar em silêncio absoluto por semanas a fio sem reabastecer. vigiando a fronteira mais
cobiçada do mundo. E é para as profundezas da selva e dos rios que a nossa investigação vai agora.
A Amazônia é o maior tabuleiro de xadrez do mundo. São 5 milhões de quilômetros
quadrados de selva, rios e fronteiras, uma área maior que a Europa Ocidental,
escondendo riquezas minerais incalculáveis e a maior biodiversidade do planeta. Para as Forças Armadas
Brasileiras, defender esse território é o pesadelo logístico definitivo.
Na doutrina militar clássica, um exército marcha sobre seu estômago e seus tanques de combustível. Na
Amazônia, não há estradas para os tanques e o abastecimento de diesel para os barcos de patrulha e geradores de
energia nas bases de fronteira é uma operação de guerra diária, cara
vulnerável. Um pelotão de fronteira isolado no Alto Solimões depende de balsas que levam
semanas para chegar com o combustível. Se essa linha de suprimento for cortada,
a defesa para. O Brasil fica cego e imóvel. É nesse cenário de
vulnerabilidade estratégica que a inovação energética brasileira deixa de
ser uma questão de ecologia e se torna uma questão de sobrevivência.
A tecnologia da célula de combustível a etanol desenvolvida nos laboratórios de São Paulo oferece a solução para o
problema mais antigo da guerra na selva, a autonomia. Imagine um barco de patrulha fluvial da
marinha. Hoje eles são movidos a diesel. São barulhentos. O ruído de seus motores
pode ser ouvido a quilômetros de distância na quietude dos rios, alertando traficantes, garimpeiros
ilegais ou forças hostis. muito antes de o barco chegar. Eles emitem calor,
tornando-se alvos fáceis para sensores infravermelhos. E eles precisam voltar
para a base constantemente para reabastecer. Agora, imagine esse mesmo
barco equipado com a tecnologia brasileira de reforma de hidrogênio. Ele se move com motores elétricos em
silêncio absoluto. Sua assinatura térmica é mínima, tornando-o um barco
furtivo, stealth natural. E o mais importante, ele pode ser reabastecido
com etanol, um combustível que pode ser produzido localmente em pequenas usinas
espalhadas pela região ou transportado com muito mais facilidade e segurança que o diesel. Essa capacidade de operar
em silêncio e com autonomia estendida é o santo grau da guerra assimétrica na
selva. O Instituto de Pesquisas da Marinha, IPQM, e o Centro Tecnológico da
Marinha em São Paulo, CTMSP, olham para essa tecnologia não apenas para barcos
de rio, mas como uma potencial chave para o futuro da frota de submarinos convencionais. Submarinos não nucleares
precisam subir à superfície para recarregar baterias usando motores a diesel, o Snort, momento em que ficam
vulneráveis. Submarinos equipados com células de combustível, tecnologia AIP,
Air Independent Proportion, podem ficar submersos por semanas. A Alemanha domina
essa tecnologia usando hidrogênio estocado em tanques de metal, o que é perigoso e complexo. O Brasil tem a
chance de fazer isso usando etanol líquido muito mais seguro e denso. Seria uma revolução na guerra submarina no
Atlântico Sul, mas a aplicação vai além da água, vai para o ar e para a terra. O
exército brasileiro, através do seu projeto Cobra, combatente brasileiro,
busca tecnologias para o soldado do futuro, equipamentos de comunicação,
visão noturna, GPS. Tudo isso consome energia. Hoje um soldado carrega quilos
de baterias de lítio em sua mochila. Se essas baterias acabam no meio da mata, ele está isolado. A tecnologia de
microcélulas de combustível a etanol permitiria criar geradores portáteis
leves que o soldado pode recarregar com um frasco de álcool, garantindo energia
por dias. É a diferença entre estar conectado e estar morto. Essa
independência energética na Amazônia preocupa profundamente as potências estrangeiras. Por décadas, a doutrina
geopolítica de países como a França, que faz fronteira com o Brasil na Guiana, a
Inglaterra e os Estados Unidos, foi baseada na premissa de que a Amazônia é
um espaço vazio que o Brasil é incapaz de vigiar ou controlar. Essa narrativa
do vazio demográfico e de poder é usada para justificar a tese da internacionalização da Amazônia. O
argumento é cínico: se o Brasil não consegue cuidar, o mundo deve cuidar.
Quando o Brasil desenvolve tecnologias que permitem a ocupação sustentável e a vigilância eficaz da floresta, essa
narrativa cai por terra. O sistema de vigilância da Amazônia, Svan com seus
radares e aviões da Imbraer, foi o primeiro passo. A independência energética é o segundo. Se o Brasil não
precisa importar diesel para manter suas bases funcionando, se consegue patrulhar os rios em silêncio e se seus drones
podem voar por horas usando biocombustível, o argumento da incapacidade desaparece. O Brasil se
torna o dono de fato e não apenas de direito do seu território. A reação
internacional a esse fortalecimento da soberania brasileira na Amazônia vem disfarçada de preocupação ambiental, mas
carrega o DNA da contenção estratégica. ONGs financiadas por governos
estrangeiros e relatórios de inteligência frequentemente atacam projetos de infraestrutura na região,
não apenas pelos danos ambientais reais que devem ser combatidos, mas também para impedir a consolidação da presença
do Estado brasileiro. Há uma linha tênue entre a preservação ambiental legítima e
o colonialismo verde, que visa manter a região como um santuário intocável e
acessível apenas à biopirataria. e a espionagem estrangeira. A tecnologia do
etanol e do hidrogênio verde bagunça esse jogo. Ela é, por definição, limpa.
É energia renovável. É difícil pra Europa ou prosáa criticarem o Brasil por
usar uma tecnologia que emite apenas vapor d'água. Eles ficam sem argumento
moral. O escudo verde da tecnologia brasileira protege a soberania militar,
mas a cobiça sobre a Amazônia não é apenas sobre árvores, é sobre o que está
embaixo delas. Minerais estratégicos, terras raras, a maior reserva de nióbio
do mundo, como vimos no dossiê anterior, urânio e água doce. As potências
mundiais sabem que no século XX a escassez de recursos será o principal motor de conflitos. Garantir o acesso a
esses recursos é prioridade máxima para a segurança nacional dos Estados Unidos e da China. A reativação da quarta frota
da Marinha do Stasmos em 2008, patrulhando o Atlântico Sul, foi um
sinal claro de que a região voltou a ser prioridade no radar do Pentágono. Eles
observam a aproximação do Brasil com a China, a modernização da marinha brasileira com o programa de submarinos
e fragatas e o desenvolvimento de tecnologias autóctones de energia com extrema atenção. Um Brasil
energeticamente independente e militarmente capaz de negar o acesso à Amazônia e ao Préal, altera o equilíbrio
de poder no hemisfério. A espionagem na Amazônia é uma realidade. Agentes
disfarçados de pesquisadores, missionários ou turistas monitoram a capacidade de resposta das Forças
Armadas Brasileiras. Eles mapeiam as frequências de rádio, a rotina das bases, a logística de combustível. A
tecnologia brasileira de células de combustível é um alvo prioritário dessa espionagem. Eles querem saber quão
silenciosos são esses novos motores, qual é a autonomia real. O Brasil já
está usando isso em submarinos. Nos laboratórios do CTA e do IPEN, a
segurança foi reforçada. Os cientistas sabem que não estão apenas fazendo ciência, estão forjando as armas da
dissuasão nacional. A inovação energética brasileira é, na verdade, uma
estratégia de defesa disfarçada de política ambiental. O Brasil está construindo uma muralha invisível ao
redor de seus recursos. Uma muralha feita de tecnologia, inteligência e energia renovável. Mas construir a
muralha é apenas metade da batalha. A outra metade é ter a vontade política de
defendê-la. E é aqui que o inimigo interno atua. O lobby para abrir a
Amazônia ao capital estrangeiro, para privatizar a Eletrobras, que detém a chave da energia na região, para
desmantelar a capacidade de pesquisa das estatais, é fortíssimo. Há uma guerra
narrativa dentro do Brasil. De um lado, os que defendem a soberania tecnológica
e a integração da Amazônia. Do outro, os que defendem a entrega dos recursos em
troca de lucro rápido. A tecnologia está pronta para revolucionar a defesa. O
motor silencioso já existe em bancada de testes. O combustível cresce no solo brasileiro. O Brasil tem a faca e o
queijo na mão para garantir que a Amazônia continue sendo verde e amarela, mas os olhos do Zeat estão bem abertos.
Eles sabem que se o Brasil consolidar essa tecnologia, a era da dependência acabou. E uma potência que não depende
de ninguém é uma potência que não obedece. A batalha pela selva não será travada
com Napalm como no Vietnã, será travada com patentes, com satélites e com a
capacidade de gerar energia no meio do nada. O Brasil criou a ferramenta para
vencer essa guerra. A dúvida que resta é se teremos a coragem de usá-la ou se
cederemos à pressão para manter a Amazônia como um jardim de infância supervisionado pelos adultos do norte. O
cenário está montado. A tecnologia civil, carros aviões e a tecnologia
militar, barcos bases convergiram. O hidrogênio verde é o elo perdido que une a economia e a defesa, mas há um último
obstáculo, uma última trincheira que precisa ser vencida para que essa revolução se torne irreversível. Não é
tecnológica, nem militar, é econômica. O mercado financeiro global, o mercado,
tem seus próprios planos para o Brasil e eles não incluem uma potência industrial soberana nos trópicos. É hora de seguir
o dinheiro e entender como a sabotagem final pode vir não de um espião, mas de
uma planilha de Excel em Wall Street. Se a física e a química estão do lado do
Brasil, a economia global joga com o regulamento debaixo do braço, escrito em
inglês e francês. A tecnologia do hidrogênio verde a partir do etanol e os
biocombustíveis de aviação saf funcionam. Os protótipos rodam, os
aviões voam. Os barcos navegam, mas transformar invenção em indústria e
indústria em riqueza nacional exige vencer o inimigo mais formidável de todos, o colonialismo verde. As
potências do norte, Estados Unidos e Europa perceberam que perderam a corrida da biomassa. Eles não têm sol o ano
todo, não tm terra suficiente e sua agricultura é cara e subsidiada. Eles
não conseguem competir com o custo de produção de energia do Brasil. Se o livre mercado fosse realmente livre, a
indústria pesada mundial, siderurgia, química, manufatura, migraria em massa
para o Brasil, atraída pela energia mais barata e limpa do planeta. O Brasil se
tornaria a fábrica verde do mundo e a Europa e oscetanis passariam por uma
desindustrialização final. Para evitar esse cenário, que para eles é apocalíptico, eles ergueram uma muralha
de taxonomias e certificações. Bruxelas e Washington criam regras
complexas sobre o que conta ou não como energia limpa. Frequentemente, essas
regras são desenhadas sob medida para excluir o etanol brasileiro. Eles
inventam critérios de uso indireto da Terra, alegando que plantar cana em São
Paulo desmata a Amazônia a 3.000 km de distância, uma falácia geográfica usada
como arma comercial. O objetivo, é claro, desqualificar o produto brasileiro de alto valor agregado, o
combustível tecnológico, para nos forçar a vender apenas a matériapra bruta ou o
crédito de carbono barato. Eles querem que o Brasil seja a Arábia Saudita do
Hidrogênio Verde, mas no pior sentido possível. Eles querem que produzamos o
hidrogênio aqui, o congelemos a 250º negativos, um processo caríssimo e
ineficiente, e o enviemos em navios para Baral Alemanha, para que eles o usem
para alimentar suas indústrias de aço e carros. Eles querem a nossa energia para
manter a competitividade deles. O Brasil ficaria com o buraco no chão e o baixo
valor da commodity. A Europa ficaria com os empregos industriais e a tecnologia de ponta.
é o ciclo do ouro e do pau brasil repetido, agora pintado de verde. A
verdadeira revolução a que a Nissan, a Imraer e a propõe é usar a energia aqui.
É fabricar o aço verde no Brasil, é produzir o fertilizante verde no Brasil,
é exportar o carro elétrico a etanol feito no Brasil e não exportar o etanol para mover o carro feito na Alemanha.
Essa é a diferença entre ser uma colônia energética e uma superpotência industrial. Mas para dar esse salto é
preciso capital. Trilhões de reais em investimento em infraestrutura, refinarias, fábricas de células de
combustível. E aqui entra a sabotagem financeira. O sistema financeiro brasileiro, viciado em juros altos e
rentismo de curto prazo, tem aversão ao risco industrial. É mais fácil e seguro
para um banco ganhar dinheiro com títulos da dívida pública do que financiar uma fábrica revolucionária de
motores a hidrogênio que vai dar lucro em 10 anos. O custo Brasil e a falta de
crédito de longo prazo asfixiam a inovação no berço. Enquanto isso, os Estados Unidos aprovaram o Inflation
Reduction Act despejando 370 bilhões de dólares em
subsídios diretos para atrair empresas de tecnologia verde para o solo americano. É um aspirador de pó de
investimentos. Empresas brasileiras ou multinacionais instaladas aqui são tentadas a levar suas fábricas para o
Texas ou Nevada. A mensagem de Washington é: "Tragam sua tecnologia, nós temos o dinheiro." É uma
Opa hostil contra a base industrial brasileira. Apesar do cerco, a resistência existe e cresce. A
tecnologia de célula de combustível, a etanol, CFC, avançou para a fase
pré-comercial. A planta piloto da Nissan na USP, rodou milhares de quilômetros com sucesso absoluto. A Volkswagen
Caminhões já tem a tecnologia validada. A Embraer voa seus jatos com SAF. O que
falta é a decisão política de escala. Falta o governo brasileiro bater na mesa
e definir. Esta é a nossa tecnologia padrão. Quem quiser vender carro aqui vai ter que se adaptar ao nosso
combustível, não o contrário. Se o Brasil fizer isso, se impuser o seu padrão tecnológico, como a China fez com
as baterias, criaremos um mercado interno gigantesco que sustentará a
indústria nacional. Temos 200 milhões de habitantes e uma frota imensa. Temos
escala para ditar regras. Países da África, da Ásia e da América Latina, que
também não têm infraestrutura de recarga elétrica e são ricos em agricultura,
olham para o modelo brasileiro como a solução ideal. O Brasil pode liderar o
sul global em uma transição energética realista e soberana, exportando não apenas combustível, mas carros, ônibus,
aviões e a própria tecnologia das células de combustível. A ironia final é que a salvação do mundo
pode depender de o mundo aceitar a solução brasileira. As baterias de lítio não vão dar conta sozinhas. Não há lítio
suficiente. Não há tempo suficiente. O aquecimento global é uma bomba relógio.
O etanol e o hidrogênio verde são a única tecnologia madura, escalável e
imediata para descarbonizar o transporte pesado e a aviação. Ao tentar bloquear o
Brasil por interesses comerciais, os Ibasswas e a Europa estão, na verdade,
sabotando a própria luta contra as mudanças climáticas. O alerta do ZSBAS
não é paranoia, é reconhecimento de potencial. Eles sabem que o Brasil montou o quebra-cabeça energético
perfeito, sol, água, terra, biomassa e tecnologia de ponta.
Nenhuma outra nação tem todas as cinco cartas na mão. A inovação energética
brasileira já aconteceu nos laboratórios. A dúvida agora é se ela acontecerá nas fábricas e nas estradas.
Estamos diante da escolha de Sofia do Desenvolvimento Nacional. O caminho fácil é aceitar o papel de fazenda do
mundo, vender nosso hidrogênio barato e comprar os carros elétricos caros da
Tesla e da BD. O caminho difícil, mas glorioso, é
bancar a nossa tecnologia, enfrentar o protecionismo, financiar a nossa
indústria e nos tornarmos os donos da energia do século XX. A tecnologia está
na mesa. O motor silencioso movido a álcool está pronto. O avião que não polui está no hangar. O navio furtivo
está no projeto. O Brasil criou a chave para o futuro. Resta saber se teremos a
coragem de girá-la e abrir a porta, ou se deixaremos mais uma vez que outros
tomem a nossa invenção e nos vendam o futuro que nós mesmos criamos. A
revolução está a um passo e o mundo está olhando, de olhos bem abertos, torcendo
para que a gente tropece. M.
Use a Calculadora QuintoAndar
Patrocinado
proprietario.quintoandar.com.br
Saiba mais
Nenhum comentário:
Postar um comentário