Meu nome é, não, melhor não dizer. Há três anos vivo escondido, mudando de
cidade a cada seis meses, olhando por cima do ombro a cada passo. O que vou
contar pode custar minha vida, mas não aguento mais carregar esse peso sozinho. Durante 15 anos, foi parte de algo que a
maioria das pessoas pensa ser apenas um clube social de homens bem-sucedidos.
Reuniões, apertos de mãos secretos, rituais simbólicos. Isso é o que eles
querem que vocês acreditem. A verdade é muito mais sombria. Eu era uma som grau
33. Não apenas um membro. Eu estava no topo da pirâmide entre os poucos que
conhecem os verdadeiros segredos da ordem. O que eu presenciei lá dentro, os rituais que eu participei, as coisas que
fui obrigado a fazer. Ainda me acordam gritando no meio da noite: "Vocês acham
que conhecem o mal? Vocês não fazem ideia. O mal verdadeiro não usa chifres
e rabo. Ele usa terno e gravata, frequenta os melhores restaurantes e
controla os destinos do mundo a partir de salas subterrâneas que a luz do sol nunca alcança. Esta é minha confissão.
Que Deus tenha piedade da minha alma. Era março de 2006. Lembro do dia exato
porque foi quando minha vida real acabou. Embora eu não soubesse disso na época. Eu tinha 35 anos, era engenheiro
civil com minha própria empresa, casado com a Márcia há 10 anos, pai de dois
meninos, Pedro de oito e João de C. Tínhamos uma vida confortável. Casa
grande em Alfaville, dois carros importados, os meninos estudando nos melhores colégios. Eu achava que tinha
conquistado tudo que um homem poderia querer. Como eu estava enganado, conheci
Roberto no Clube Ípico Santo Amaro. Ele apareceu numa quinta-feira durante meu
horário habitual de tênis. Homem de uns 50 anos, cabelos grisalhos,
perfeitamente penteados, sempre impecavelmente vestido. Dirigia um
Mercedes S Class, preto com vidros escuros. Mas o que mais me chamava
atenção eram os olhos dele, azuis, penetrantes, como se pudessem ler sua
alma. No começo eram só cumprimentos educados no vestiário. Boa tarde, como
vai o jogo? Essas coisas. Mas Roberto tinha uma presença magnética. Quando ele
falava, as pessoas paravam para ouvir. Havia algo nele que inspirava respeito
instantâneo. Depois de algumas semanas, ele começou a se aproximar mais.
Perguntava sobre minha empresa, minha família, meus projetos, sempre
interessado, sempre fazendo as perguntas certas. E então começaram os comentários
estranhos. Sabe, Lucas? Ele disse uma tarde enquanto tomávamos uma cerveja
após o jogo. Você me parece um homem insatisfeito, não com o que tem. Isso é
óbvio que você conquistou muito, mas insatisfeito com os limites. Que
limites? Perguntei intrigado. Os limites do conhecimento comum, do poder comum,
da influência comum. Ele sorriu, mas não foi um sorriso tranquilizador.
Existem homens neste mundo que transcenderam essas limitações. Homens
que conhecem segredos que remontam aos primórdios da civilização. Por meses,
Roberto plantou sementes na minha mente. Falava sobre sociedades antigas, sobre
conhecimento esotérico, sobre homens que realmente controlavam os rumos da
história. Nunca diretamente, sempre através de insinuações, histórias
aparentemente casuais. Você sabia, ele comentou certa vez, que todas as grandes
decisões que moldam nosso mundo são tomadas por não mais que 300 homens, não
presidentes, não primeiros ministros. Esses são apenas marionetes. Os
verdadeiros governantes operam nas sombras. Isso são teorias conspiratórias. Roberto. Eu ri.
São. Ele me olhou fixamente. E se eu te dissesse que conheço alguns desses
homens pessoalmente? O clima ficou pesado. Havia algo na voz dele, na forma
como seus olhos escureceram, que me fez engolir seco. "Lucas", ele continuou
baixando a voz. "Você já se perguntou por alguns homens prosperam enquanto outros igualmente capazes fracassam? Por
que alguns contratos são aprovados enquanto outros não? Porque algumas carreiras decolam como foguetes enquanto
outras estagnam? Claro que eu já tinha me perguntado isso. Todo empresário se
pergunta: "Existe uma irmandade?" Roberto sussurrou, olhando ao redor para
ter certeza de que ninguém escutava. Uma organização que existe há séculos. Eles
cuidam dos seus: proteção, prosperidade, conhecimento, mas exigem lealdade
absoluta em troca. Que tipo de lealdade? Perguntei já sentindo que estava sendo
fisgado. O tipo que poucos homens têm coragem de oferecer? Ele respondeu,
terminando sua cerveja. Mas para aqueles corajosos o suficiente, as recompensas
são inimagináveis. Passaram-se mais dois meses de conversas similares. Roberto era mestre em plantar
curiosidade sem revelar demais. Falava sobre rituais antigos, sobre símbolos
que guardam poder, sobre tradições que precedem o cristianismo. Foi numa noite
fria de agosto que ele finalmente fez o convite. Lucas, você me parece um homem
pronto para transcender as limitações comuns da existência. Estávamos no
estacionamento do clube sozinhos. Gostaria de conhecer alguns dos meus
irmãos. Meu coração disparou. Parte de mim sabia que deveria dizer não, ir para
casa, abraçar minha esposa e filhos e esquecer essa conversa. Mas a
curiosidade era mais forte. Que tipo de encontro seria esse? Perguntei. Uma
reunião onde homens de visão discutem o futuro da humanidade, onde você pode
aprender verdades que as universidades não ensinam. Ele colocou a mão no meu
ombro, mas preciso te avisar, uma vez que você souber certas coisas, não há
como voltar atrás. O conhecimento muda o homem irreversivelmente.
Deveria ter ouvido o aviso, deveria ter corrido. Em vez disso, balancei a cabeça
concordando. Ótimo. Roberto sorriu. Sábado à noite, te pego às 8. O sábado
chegou e eu estava nervoso como nunca. Márcia percebeu meu estado. Você está
estranho hoje. O que foi? É só trabalho, amor. Vou numa reunião de negócios hoje
à noite. Ela me olhou desconfiada. Que tipo de reunião acontece num sábado à
noite? Uns investidores internacionais. Pessoal importante. A mentira saiu com
facilidade assustadora. Às 8 em ponto, Roberto chegou. Não no Mercedes
habitual, mas numa van preta com vidros totalmente escuros. Estranho. Por que a
van? Perguntei ao entrar. Descrição. Ele respondeu simplesmente: "Onde vamos?
Privacidade é essencial. Rodamos por quase uma hora. Roberto não falou muito
durante o trajeto, só música clássica no som. Eu tentava identificar onde estávamos, mas os vidros escuros e a
noite tornavam tudo impossível. Finalmente paramos em frente a uma mansão antiga em algum lugar da zona
sul. O portão se abriu automaticamente. Alguém nos esperava.
A casa era imponente, estilo neoclássico, com jardins perfeitamente
cuidados, iluminados por postes discretos. Lucas, Roberto disse ao
descermos algumas regras básicas. Nunca pergunte nomes verdadeiros. Nunca tire
fotos. Nunca fale sobre o que ver ou ouvir aqui com ninguém de fora. Nunca. A
porta da frente se abriu antes mesmo de tocarmos a campainha. Um homem de uns 60
anos, impecavelmente vestido de preto, nos cumprimentou com um aceno
silencioso. Seu rosto era inexpressivo, quase cadavérico. Por dentro, a casa era
ainda mais impressionante. Mármores, tapeçarias antigas, quadros que pareciam
ter saído de museus. Mas o que mais me chamou atenção foram os símbolos. Eles
estavam por toda parte. O olho que tudo vê dentro de um triângulo, esquadros e
compassos entrelaçados, símbolos que eu não reconhecia, mas que de alguma forma me deixavam
desconfortável. Havia algo sombrio naqueles símbolos,
como se carregassem um peso que minha mente não conseguia processar. Impressionado, Roberto sussurrou. É
intimidante admitir. Deveria ser. Alguns destes símbolos são mais antigos que
Roma, mais antigos que a própria escrita. Fomos levados para um salão no
andar superior. Cerca de 20 homens já estavam lá, todos vestidos de forma
similar. Ternos escuros, posturas eretas, expressões sérias. Reconhecia
alguns rostos. Um era dono de uma das maiores empreiteiras do país. Outro era
um juiz federal famoso. O terceiro, meu Deus, era um político que eu via na TV
toda semana. Meus irmãos, Roberto anunciou. Apresento-lhes Lucas
Martinelli. Todos se viraram para mim simultaneamente. O silêncio foi
ensurdecedor. Senti como se estivesse sendo examinado, avaliado, pesado numa
balança invisível. Um homem de aproximadamente 70 anos com cabelos brancos e olhos glaciais se aproximou.
Então você é o protegido do irmão Roberto. Sua voz era grave, autoritária.
Diga-me, Senr. Martinelli, o que você busca na vida? Bem, eu gaguejei
completamente intimidado. Sucesso, prosperidade, conhecimento. E o que você
estaria disposto a sacrificar por essas coisas? A pergunta me pegou desprevenido. Como assim sacrificar?
Tudo na vida tem um preço. O homem continuou. Poder verdadeiro, conhecimento verdadeiro, influência
verdadeira. Estes não vêm de graça. Exigem compromissos. Que tipo de
compromissos? Sigilo absoluto, obediência inquestionável, lealdade que
transcende família, religião, país. Ele fez uma pausa e eventualmente
participação em atividades que, digamos, a sociedade comum não compreenderia.
Deveria ter saído correndo naquela hora. Todos os alarmes na minha cabeça estavam tocando. Mas havia algo hipnótico
naquele ambiente, naqueles homens, naqueles símbolos. como se eu estivesse sendo puxado para
algo maior que mim mesmo. Eu estou interessado em aprender respondi. O
homem sorriu. Não foi um sorriso caloroso, foi o sorriso de um predador que acabou de fisgar sua presa.
Excelente. Então vamos começar sua educação. Eles me levaram para o porão.
Descemos uma escada de mármore que parecia não ter fim. O ar ficou mais frio, mais pesado. Havia um cheiro
estranho, incenso, misturado com algo que eu não conseguia identificar, algo
orgânico, desagradável. O porão era, na verdade, um salão circular enorme, com
teto abobadado e paredes de pedra. No centro, um altar octogonal de mármore
negro cercado por oito velas vermelhas. Nas paredes mais símbolos, mas estes
eram diferentes dos de cima, mais antigos, mais sinistros. Os 20 homens
formaram um círculo ao redor do altar. Roberto me posicionou entre dois deles.
Lucas Martinelli, a voz do homem mais velho ecoou no salão. Você está na
presença da Ordem dos Illuminati modernos, sucessores diretos dos perfectibilistas originais de Adam
Weish. Somos os guardiões de conhecimentos que precedem as religiões
monoteístas, os conservadores de tradições que remontam aos mistérios da Babilônia e do Egito antigo. Illuminati.
A palavra me atingiu como um raio. Eu tinha lido sobre eles, claro, teorias
conspiratórias, livros, filmes, mas sempre achei que fossem lenda. Vejo em
seus olhos que reconhece o nome. O homem continuou. Bom, isso significa que você
entende a magnitude do que está sendo oferecido. Eles começaram a cantar. Não
era português, nem inglês, nem latim. Era algo muito mais antigo, guturalhe
primitivo. As palavras pareciam vibrar nas paredes de pedra, criando harmonias
impossíveis que faziam minha pele arrepiar. Então trouxeram o sacrifício.
Não se assuste Roberto sussurrou no meu ouvido. É apenas simbólico. Era um bode
negro com chifres curvos e olhos que pareciam brilhar na luz das velas. Dois
homens o seguraram no altar enquanto o líder retirou uma adaga de prata de dentro do manto. "A vida é sagrada", ele
declarou, elevando a lâmina. "Mas a morte é transformação. Através do
sacrifício, transcendemos as limitações da carne e comungamos com forças superiores. A lâmina desceu, o sangue
jorrou sobre o altar, escorrendo por canais esculpidos na pedra em direção a uma bacia aos pés do altar. O animal
convulsionou uma vez e ficou imóvel. Mas o que me assombrou não foi a morte do
animal, foi o que aconteceu depois. O sangue na bacia começou a borbulhar.
Fumaça vermelha subiu dele, formando figuras no ar. Por um momento, juro que
vi rostos na fumaça. Rostos antigos, cruéis, com olhos que queimavam como
brasas. Mestres, o líder falou para as figuras de fumaça: "Apresentamos-lhes um
novo irmão. Aceitem nossa oferenda e abençoem sua iniciação." A temperatura
despencou. Meu hálito ficou visível e então ouvi as vozes. Não eram vozes
humanas. vinham de todas as direções ao mesmo tempo sussurros que pareciam
brotar diretamente dentro da minha cabeça. Falavam em línguas que eu não
conhecia, mas de alguma forma entendia. Bem-vindo, criança as vozes sussurravam.
Bem-vindo à verdade, desmaiei. Quando acordei, estava numa sala bem iluminada
no andar de cima. Roberto estava ao meu lado, oferecendo um copo de água. O que?
O que foi aquilo?", perguntei ainda tremendo. "Sua iniciação?", ele
respondeu calmamente. Nem todos são fortes o suficiente para testemunhar
nossos rituais na primeira vez. O fato de você ter permanecido consciente por
tanto tempo é impressionante. Aquelas vozes, aquelas figuras, os mestres,
entidades que nos guiam a milênios, eles aprovaram sua entrada na ordem. Roberto,
eu não sei se estou pronto para isso. Ele colocou a mão no meu ombro. Por um
momento, seus olhos pareceram diferentes, mais velhos, mais sábios,
mais perigosos. Lucas, ele disse, e havia uma autoridade em sua voz que não
havia antes. Você viu demais para voltar atrás agora. Você é um de nós, queira ou
não. A escolha que tem é simples. Abraçar seu destino. Ou ele não terminou
a frase, não precisava. Nos meses seguintes, minha vida mudou
dramaticamente, mas de forma sutil. Externamente, tudo parecia normal.
Continuava trabalhando, voltando para casa toda a noite, jantando com Márcia e os meninos, mas por dentro eu era outra
pessoa. As reuniões aconteciam uma vez por semana, sempre numa quinta-feira,
sempre em locais diferentes, às vezes na mansão, outras vezes em escritórios
luxuosos no centro ou em sítios isolados nos arredores de São Paulo. Roberto
sempre me buscava naquela van de vidros escuros. No primeiro grau, que eles chamavam de aprendiz, aprendiz sobre os
símbolos básicos. O esquadro representava a matéria, o compasso, o
espírito. O olho que tudo vê era o símbolo da percepção transcendente, a
capacidade de ver além do véu da realidade comum. "A maioria das pessoas
vive na caverna de Platão", explicou meu mentor. "Um se identificava apenas como
irmão Alexandre". Vem apenas sombras na parede e acreditam que aquilo é a realidade total. Nós
somos aqueles que saíram da caverna e viram a luz verdadeira. As lições
incluíam meditações estranhas, visualizações de símbolos, recitação de
textos antigos. Gradualmente comecei a ter sonhos vívidos. Não, não eram
sonhos, eram visões. Via cidades antigas, templos perdidos, rituais de
povos que desapareceram a milênios. Via faces de homens e mulheres que pareciam
me conhecer, que me chamavam por um nome que não era meu. Toraquiel. Eles
sussurravam: "Você voltou, Toraquiel? Quando mencionei isso para Roberto". Ele
sorriu. Sua alma antiga está despertando. Toraquiel era um alto
sacerdote na Babilônia há 3000 anos. Você é sua reencarnação. Roberto, eu sou
católico. Não acredito em reencarnação. Você era católico. Ele corrigiu. Agora
você conhece verdades mais profundas que qualquer religião organizada pode oferecer. No segundo grau, companheiro,
os rituais ficaram mais intensos. introduziram-me a geometria sagrada, a
ideia de que certas formas geométricas possuem poder inerente. Aprendi a
desenhar pentagramas, hexagramas e símbolos mais complexos que supostamente
podiam canalizar energias cósmicas. Foi neste grau que presenciei meu primeiro
ritual de maior escala. 50 homens reunidos num galpão abandonado nos
arredores da cidade. No centro não um altar, mas um círculo de pedras negras
com inscrições em cuneiforme. Trouxeram não um animal, mas três, um galo negro,
um bode branco e uma pomba. o sacrificaram em sequência específica,
misturando o sangue numa taça de ouro antiga. "Sangue é vida", declarou o
líder da sessão, um homem que parecia ter mais de 80 anos, mas se movia com agilidade de jovem. E vida é energia.
Através do sacrifício ritual, podemos concentrar e direcionar essa energia
para nossos propósitos. Cada membro bebeu um gole da taça. Quando chegou
minha vez, hesitei. É necessário, Roberto murmurou no meu ouvido. É como a
comunhão católica, mas com poder real. Beb, o líquido era quente, metálico e
deixou um gosto que durou dias, mas o efeito foi imediato. Uma onda de energia
que percorreu meu corpo inteiro como uma droga poderosa. Por um momento, senti
como se pudesse ver através das paredes, ler as mentes ao meu redor, tocar o
próprio tecido da realidade. Naquela noite, chegando em casa, Márcia notou
algo diferente. Seus olhos estão estranhos. Ela disse: "Mais escuros.
Quando me olhei no espelho, ela estava certa. Meus olhos castanhos pareciam
quase pretos. No terceiro grau, mestre, aprendi sobre a verdadeira estrutura da
ordem. Não éramos apenas um grupo de homens poderosos brincando com rituais antigos. éramos parte de uma rede global
que incluía políticos, empresários, líderes religiosos, acadêmicos e até
mesmo criminosos de alto escalão. Controlamos bancos que financiam guerras", explicou o irmão Alexandre
durante uma de nossas sessões privadas. Temos membros nos parlamentos de dezenas
de países. Nossas pessoas ocupam posições chave em todas as grandes
corporações de mídia. Para que serve todo esse controle? Preparação. O mundo
precisa ser moldado antes da grande obra poder ser completada. Que grande obra?
Alexandre sorriu aquele sorriso frio que eu estava começando a reconhecer em todos os membros da ordem. Você ainda
não está pronto para essa verdade, mas em breve estará. Foi também no terceiro
grau que comecei a ver os efeitos práticos da minha participação. Minha
empresa, que vinha passando por dificuldades, de repente começou a prosperar. Contratos que eu nem havia
concorrido apareciam na minha mesa. Licitações públicas que deveriam ser
impossíveis de ganhar caíam no meu colo. "Como isso está acontecendo?", Perguntei
para Roberto. A ordem cuida dos seus. Nós temos pessoas em posições
estratégicas por todo o país. Uma palavra aqui, uma pressão ali e os
obstáculos desaparecem. Mas isso é corrupção. Corrupção é uma palavra
inventada por aqueles que não têm poder para definir o que é moral. Ele respondeu: "Nós operamos em um nível de
realidade onde tais conceitos são irrelevantes. Paralelamente à prosperidade material, minha vida
familiar começou a se deteriorar. Márcia reclamava que eu estava diferente, mais
distante, mais frio. As crianças pareciam me evitar. Você não brinca mais
conosco, papai." Pedro disse numa noite, enquanto eu lia e-mails no meu
escritório em casa. Papai está ocupado com coisas importantes", respondi sem
levantar os olhos da tela. Mais importantes que nós? A pergunta me
atingiu como uma punhalada, mas eu a ignorei. Havia verdades maiores para
descobrir, poder maior para conquistar. No quarto grau, começaram os rituais
sexuais. O sexo é a força criativa primordial do universo", explicou uma
mulher que se identificava apenas como irmã Lilit. Através da união sexual
ritualística, podemos acessar níveis de consciência impossíveis de alcançar por
outros meios. As orgias aconteciam numa casa especial, decorada com símbolos
fálicos e iônicos de várias culturas. Homens e mulheres, todos mascarados, se
entregavam a atos sexuais elaboradamente coreografados, enquanto cânticos ecoavam
ao fundo. "Sua esposa não pode saber." Roberto me avisou. "Ela não entenderia
que isso é sagrado, não profano. Participei relutantemente no início, mas logo descobri que os rituais sexuais
produziam estados alterados de consciência intensos. Durante os orgasmos coletivos, eu tinha visões de
outras dimensões, outros mundos, outras formas de existência. Foi durante um
desses rituais que vi pela primeira vez um dos mestres em forma física. A
criatura, não posso chamá-la de outra coisa, materializou-se no centro do
círculo de corpos nus. Era vagamente humanoide, mas com proporções erradas.
Muito alta, com braços longos demais. dedos que terminavam em garras. Sua pele
era cinzenta e brilhava com uma luz própria, mas foram os olhos que me
marcaram, completamente negros, sem iris nem pupila, como buracos no tecido da
realidade. Meus filhos, a coisa falou sem mover os lábios, sua voz ecuando
diretamente nas nossas mentes. Vocês me nutrem com sua energia sexual. Em troca,
eu os abençoo com conhecimento. Imagens inundaram minha mente. Vi a
verdadeira história da humanidade. Não a versão que aprendemos na escola, mas a
real. Vi como seres de outras dimensões haviam manipulado nossa evolução desde o
início. Vi templos antigos onde humanos adoravam esses seres como deuses. Vi o
plano para retornar esses deuses ao nosso mundo. Quando a visão acabou,
estava chorando, não de tristeza, mas de alegria. Finalmente entendia meu lugar
no universo. Nos graus seguintes, quinto, sexto, sétimo, os rituais
ficaram progressivamente mais extremos. Drogas alucinógenas de origem
desconhecida, mutilações rituais menores, cortes nos braços para desenhar
símbolos com sangue, jejuns prolongados, seguidos de festins que incluíam
ingredientes incomuns. "Este é carne consagrada", explicou o chefe numa festa
do oitavo grau, servindo um prato que tinha gosto diferente de qualquer coisa
que eu já havia provado. alimentar-se dela transfere as qualidades espirituais
da fonte para o consumidor. Só anos depois, descobriria o que realmente
havia comido naquela noite. No grau, aprendi sobre a estrutura financeira da
ordem. Tínhamos bancos em paraísos fiscais, empresas de fachada em dezenas
de países, investimentos em praticamente todos os setores da economia global. Nós
não apenas influenciamos os mercados", explicou o tesoureiro da ordem, um homem
que durante o dia era presidente de um dos maiores bancos do Brasil. Nós somos
os mercados. Cada crise financeira, cada colapso econômico, cada guerra
comercial, tudo orquestrado para concentrar mais poder em nossas mãos.
Para quê? Perguntei. Recursos. O retorno requer quantidades imensas de recursos.
Precisamos controlar a economia global para financiar a grande obra. Que
retorno. Ainda não é hora de você saber, mas está chegando. No 10o grau,
presenciei meu primeiro ritual humano. Era um homem de uns 40 anos, amarrado ao
altar. Estava consciente, chorando, implorando. "Quem é ele?", Perguntei
para Roberto. Um ex-membro que tentou expor a ordem, um traidor. Vocês não
podem simplesmente sumir com ele assim. Não o estamos eliminando. Roberto
corrigiu. Estamos oferecendo sua energia vital aos mestres. Sua viagem serve a um
propósito maior. O líder do ritual aproximou-se e concluiu o trabalho. A
alma, Roberto explicou calmamente. Agora pertence aos mestres. Irá servi-los na
dimensão deles por toda a eternidade. Vomitei violentamente quando cheguei em
casa naquela noite. Márcia perguntou se eu estava doente. Só uma intoxicação
alimentar. Menti. Mas eu sabia que não havia volta atrás. tinha testemunhado
algo terrível. Pela lei da ordem, isso me tornava cúmplice e corresponsável.
Se tentasse sair agora, seria eu o próximo no altar. Nos graus seguintes,
esses atos se tornaram mais frequentes. Traidores, espiões, obstáculos à grande
obra. Sempre havia uma justificativa, sempre havia uma necessidade maior. E
gradualmente, assustadoramente comecei a aceitar, a normalizar, a
racionalizar. É pela evolução da humanidade, eu me dizia, alguns precisam
partir para outro plano para que muitos possam as. Minha família estava em
ruínas. Márcia mal falava comigo. As crianças me temiam, mas isso parecia
irrelevante comparado à magnitude da obra que estávamos realizando. No 20º grau, aprendi sobre as outras ordens
espalhadas pelo mundo. Não éramos únicos. Havia grupos similares em todos
os continentes, todos servindo aos mesmos mestres, todos trabalhando pela
mesma grande obra. Somos uma teia global", explicou o coordenador
internacional, um homem que afirmava ter mais de 200 anos. Cada ordem é um nó na
teia. Quando todos os nós estiverem no lugar, a teia estará completa e os
mestres poderão retornar em plena glória. Nos graus seguintes, viajei para
encontros internacionais: Roma, Paris, Nova Yorque, Cairo. Sempre os mesmos
rituais. sempre as mesmas criaturas sombrias, sempre os mesmos sacrifícios.
Mas também conheci o poder real da ordem. Vi presidentes recebendo ordens
de nossos membros. Vi CEOs de multinacionais alterando políticas
globais com base nas nossas diretrizes. Vi líderes religiosos pervertendo suas
doutrinas para servir aos nossos propósitos. Religiões são ferramentas de
controle. explicou um cardeal que era membro da ordem. Mantemos as massas
dóceis e esperançosas enquanto moldamos o mundo, segundo nossa visão. No 25º
grau, finalmente entendia a escala da grande obra. Não era algo que
aconteceria em anos ou décadas, mas em séculos. Gerações de membros da ordem
trabalhando pacientemente, movendo as peças no tabuleiro global, preparando o
mundo para o retorno. "Você pode não viver para ver a culminação", disse meu
mentor. "Mas seus filhos talvez vejam, e se não eles, então os filhos dos seus
filhos. Meus filhos nunca farão parte disso", respondi instintivamente. O
silêncio que se seguiu foi perturbador. Todos os filhos de membros do grau 25 ou
superior automaticamente se tornam candidatos. Ele disse lentamente: "Está
nas regras da ordem. Senti o sangue gelar nas veias. Pedro tem apenas 15
anos. João 12. a idade ideal para começar a preparação. Naquela noite,
pela primeira vez em anos, chorei. Chorei pensando no que havia trazido
sobre minha família. Chorei pensando nos rituais que meus filhos teriam que presenciar. Chorei pensando nas coisas
que teriam que fazer, mas ainda não tive coragem de fugir. Levei 3 anos para
chegar ao grau 30. Três anos de rituais cada vez mais perturbadores. Purifiquei
várias almas. Uma escuridão foi lentamente consumindo minha alma. Mas
nada, absolutamente nada, me preparou para o que descobriria nos últimos três
graus. O grau 31 foi onde conheci as mães. Assim elas se chamavam, mulheres
que dedicaram suas vidas inteiras à ordem. Não eram simples participantes
como as que eu havia visto nos rituais sexuais. Essas eram diferentes. A
primeira que conheci se apresentou como mãe Astarot. Aparentava ter uns 50 anos,
mas havia algo nos seus olhos que sugeria uma idade muito maior. Ela estava grávida. Há quanto tempo está
grávida? Perguntei tentando fazer conversa. 17 meses." Ela respondeu
casualmente: "Isso é impossível. Para humanos comuns, sim, mas este não é um
bebê comum." Ela acariciou a barriga com uma ternura perturbadora.
Este é um híbrido. Metade humano, metade outra coisa. Foi então que descobri a
verdade sobre os rituais sexuais. Não eram apenas para energia espiritual,
eram programas de reprodução. As mulheres da ordem eram engravidadas por
criaturas, os mestres. "Já tivemos sucesso 17 vezes", explicou mãe Astarot.
17 crianças híbridas nasceram e estão sendo criadas em instalações especiais
ao redor do mundo. Quando atingirem a maturidade, elas serão os novos líderes
da humanidade. O que acontece com as crianças? Elas são especiais, mais
inteligentes que qualquer humano, com habilidades extraordinárias. podem influenciar
mentes, manipular a realidade física em pequena escala, comunicar-se diretamente
com os mestres. Vi algumas dessas crianças numa instalação secreta no interior de São Paulo. Tinha uma
aparência normal, mas os olhos, meu Deus, os olhos eram completamente
negros, como os dos mestres. E quando elas me olhavam, sentia como se
estivessem lendo minha alma. Uma delas, que não devia ter mais de 8 anos, se
aproximou de mim. "Você tem medo, tio Lucas?", ela disse com uma voz que soava
antiga demais para sua idade. Medo do que está por vir, mas não deveria ter.
Nós vamos tornar tudo melhor. Melhor como? Sem guerras, sem fome, sem
doenças, só harmonia. Ela sorriu e, por um momento, seus dentes pareceram
pontegudos demais. Claro que alguns humanos terão que partir, mas é para o
bem maior. No grau 32, descobri os planos específicos para o retorno. Não
era metafórico. Os mestres realmente planejavam retornar à nossa dimensão,
mas não como visitantes, como conquistadores. O véu entre as dimensões está
enfraquecendo explicou o Arquimestre. Um homem tão velho que parecia múmia viva.
Séculos de rituais, sacrifícios e manipulação genética finalmente estão
dando resultado. Em breve eles poderão cruzar permanentemente.
2027 era a data prevista originalmente, mas os eventos dos últimos anos
aceleraram o cronograma. Agora calculamos que será possível até 2025.
Estávamos em 2019, menos de uma década. e a humanidade. Aqueles que se
submeterem serão poupados, serão gado, fonte de alimento, energia e
entretenimento para os mestres. Os resistentes serão eliminados. Quantos sobreviverão? Estimamos que 500 milhões
seja um número adequado, suficiente para manter a espécie, mas pequeno o
suficiente para ser facilmente controlado. 7 bilhões de pessoas
morreriam. E eu estava ajudando a tornar isso possível. Foi no grau 32 que
trouxeram Pedro para uma visita. Papai, ele gritou ao meão de Alfaville. O que é
este lugar? Por aqueles homens me trouxeram aqui? Roberto sorriu ao ver meu desespero. É hora de começar a
preparação do seu filho, Lucas. Ele tem 16 anos agora. Idade perfeita. Não!
Gritei. Eu não permito. Você não tem escolha. Está nas regras que você concordou quando chegou ao grau 25. E
forçaram Pedro a assistir um ritual leve, apenas o sacrifício de um animal.
Mas vi o horror nos olhos do meu filho. Vi sua inocência sendo destroçada. Por
que, papai? Ele chorou depois. Por que você faz parte disso? Não consegui
responder. Finalmente, depois de 15 anos na ordem, fui considerado digno do grau
33. A cerimônia aconteceu numa ilha particular no Caribe, propriedade de um
bilionário membro da ordem. Éramos apenas 12 pessoas, os únicos grau 33
ativos no hemisfério ocidental. O resto do mundo tinha números similares. No
total, não mais que 144 pessoas vivas conheciam todos os segredos da ordem.
Bem-vindo ao verdadeiro poder", disse o grão Mestre, um homem que afirmava ter
mais de 300 anos. Agora você é um dos poucos que conhece não apenas os planos,
mas também os métodos exatos para implementá-los. A ilha tinha instalações
que desafiavam qualquer descrição. Laboratórios onde cientistas da ordem
trabalhavam em vírus geneticamente modificados, criadouros, onde as crianças híbridas eram educadas. E no
centro um templo que não era desta dimensão. Este templo existe simultaneamente em nossa realidade e na
dimensão dos mestres, explicou o grão mestre. É um ponto de ancoragem. Quando
tivermos pontos suficientes ao redor do globo, os mestres poderão cruzar
permanentemente. Havia 13 desses templos sendo construídos: Londres, Nova Yorque,
Tóquio, Moscou, Cairo e outros locais estratégicos. Cada um exigia combustível
especial. Crianças, disse o grão mestre simplesmente, não qualquer criança. Elas
precisam ser puras, inocentes para purificação em circunstâncias específicas. Seu terror e dor no momento
da morte geram a energia necessária para ancorar os templos em nossa dimensão.
Foi quando vi o verdadeiro horror do grau 33. Trouxeram 50 crianças para a
ilha, idades, entre 5 e 12 anos. Este é o ritual da grande ancoragem",
anunciou o grão mestre. "Com a purificação dessas 50 almas puras, o
templo desta ilha se tornará permanentemente ancorado. Será o primeiro dos 13." As crianças choravam,
chamavam por suas mães, imploravam para voltar para casa. Seus gritos ecoavam
pela ilha inteira. "Lucas!" Roberto me chamou como novo membro do grau 33. Você
terá a honra de realizar o primeiro sacrifício. Me entregaram uma adaga
cerimonial. Uma menina de uns 7 anos foi trazida ao altar. Ela tinha cabelos
loiros, olhos azuis e usava um vestido branco que estava sujo de lágrimas. Por
favor, senhor, ela chorou. Eu quero minha mamãe. Eu prometo ser boa. Por
favor, me deixe ir para casa. Olhei para a lâmina na minha mão, olhei para a
criança, olhei para os rostos expectantes dos outros membros. Eu eu
não posso. Claro que pode, Roberto sussurrou. É apenas uma vida. Pense no
bem maior. Pense na nova era que estamos criando. Ela é inocente.
Exatamente por isso que seu sacrifício é poderoso. Tentei levantar a lâmina, mas
minhas mãos tremiam incontrolavelmente. A criança me olhava com aqueles olhos
azuis cheios de terror e esperança. "Eu não consigo", murmurei. O grão mestre
suspirou. Fraqueza humana residual é compreensível. Roberto, proceda você.
Roberto pegou a lâmina das minhas mãos. Sem hesitação, sem emoção, concluiu a
purificação. O líquido jorrou sobre o altar, mas não parou. Aí uma por uma,
todas as 50 crianças foram purificadas. Algumas descansaram rapidamente, outras
não. O grão mestre explicou que o terror prolongado potencializava a energia.
Quando terminaram, a ilha inteira estava coberta por uma névoa vermelha. O templo
no centro começou a brilhar com uma luz que não vinha de fonte alguma. E então
eles apareceram, não as figuras sombrias dos rituais menores. Os próprios mestres
em toda sua terrível glória, eram indescritíveis. Imagine pesadelos feitos carne,
tentáculos onde deveriam ter braços, olhos que queimavam como estrelas negras, bocas cheias de dentes que não
paravam de crescer e uma presença mental tão opressiva que vários membros
desmaiaram imediatamente. Bem-vindos, filhos. A voz deles ecoou em
nossas mentes como vidro quebrado. Vocês serviram bem. Em breve todos os portais
estarão abertos e reclamaremos nosso domínio sobre esta dimensão. Uma das
criaturas se aproximou de mim. Quando tocou minha testa, vi visões do futuro
que eles planejavam. Cidades em chamas, milhões de pessoas correndo em pânico,
enquanto criaturas monstruosas as caçavam. campos de concentração onde
humanos eram criados como gado, crianças sendo purificadas enquanto seus pais
eram forçados a assistir. E no centro de tudo, templos negros, onde os mestres
reinavam como deuses sanguinários, alimentando-se do terror e sofrimento da
humanidade. Este é o futuro a criatura sussurrou em minha mente e você ajudou a torná-lo
possível. Quando a visão acabou, eu estava vomitando sangue. A iniciação
está completa declarou o grão mestre. Lucas, você agora conhece toda a
verdade, conhece nosso propósito final e conhece o preço de tentar nos parar. Ele
fez um gesto e uma tela desceu do teto. Mostrava imagens de Márcia e João em
nossa casa, fazendo suas atividades normais, completamente alheios ao fato
de que estavam sendo observados. Sua família está sempre sobra proteção", ele
disse com um sorriso. "Desde que você continue sendo um membro leal e produtivo." Naquela noite, sozinho no
meu quarto, na ilha, chorei como nunca havia chorado na vida. Chorei pelas 50
crianças purificadas. Chorei pela humanidade que seria escravizada. Chorei
pela minha alma perdida. Mas, principalmente chorei porque finalmente
entendi que não havia saída. Era tarde demais para voltar atrás, tarde demais
para me redimir, tarde demais para salvar qualquer um. Ou assim eu pensava.
Passei do anos como membro ativo do grau 33. Do anos participando de reuniões
onde planejávamos o fim da civilização. Dois anos assistindo mais rituais de
purificação, mas portais sendo abertos. Em 2021 já havia cinco templos
totalmente ancorados. Os efeitos eram visíveis para quem soubesse o que procurar. Aumento inexplicável em
desastres naturais perto dos locais dos templos. Ondas de pessoas que partiram
cedo demais por conta própria em massa. Surtos de violência aparentemente
aleatórios. "A barreira dimensional está se enfraquecendo", explicou o grão mestre durante uma
reunião em janeiro de 2022. Os mestres estão conseguindo influenciar nossa
realidade com mais facilidade. Em breve não precisarão mais dos rituais para se
manifestar. Foi nessa reunião que anunciaram a próxima fase do plano. É
hora de começar a colheita preparatória", disse ele. "Precisamos reduzir significativamente a população
mundial antes do retorno final. Populações menores são mais fáceis de
controlar." "Como?", perguntou um membro. Pandemias, guerras, colapso
econômico, fome em massa. Nossos cientistas já desenvolveram várias armas
biológicas. Nossos agentes políticos estão posicionados para iniciar
conflitos regionais. Nossos financistas estão preparados para derrubar economias
inteiras. Quantas pessoas morrerão na colheita? Entre 2 e 3 bilhões,
estimamos. o suficiente para enfraquecer a resistência potencial, mas deixando
força de trabalho adequada para os sobreviventes. 2 bilhões de pessoas, homens, mulheres,
crianças, todos marcados para a purificação pelos planos que eu ajudava a formular. Foi nesse momento que algo
em mim quebrou. Talvez tenha sido a imagem do João, agora com 17 anos, sendo
gradualmente introduzido aos rituais menores. Talvez tenha sido a lembrança daquela menina de olhos azuis na ilha.
Ou talvez tenha sido simplesmente o acúmulo de anos de horror que finalmente
ultrapassou minha capacidade de racionalização. Saí daquela reunião determinado a fazer
algo, qualquer coisa. Comecei a documentar tudo, nomes, datas. locais,
planos específicos. Usei equipamentos de gravação microscópicos escondidos na
minha roupa. Fotografei documentos quando ninguém estava olhando. Memorizei códigos e senhas. Durante seis meses,
coletei evidências o suficiente para expor toda a ordem, todos os seus
membros, todos os seus planos. Mas eu precisava de uma forma de divulgar as informações sem ser pego e precisava
proteger minha família. O plano veio quando soube de uma operação especial em Buenos Aires. Seria um ritual de grande
escala para ancorar outro templo e eu fui designado para supervisionar a
logística. Você voará para a Argentina na quinta-feira. Roberto me informou.
Ficará lá por uma semana organizando os preparativos. Era minha chance. Na
terça-feira, antes da viagem, fui até a escola do João durante o intervalo. Pai,
o que está fazendo aqui? João, preciso te dizer algo muito importante. Sua vida está em perigo.
Nossa família inteira está em perigo. Contei tudo. Cada detalhe sórdido, cada
ritual horrível, cada plano genocida. Vi o horror crescer nos olhos do meu filho
enquanto ele processava a verdade sobre quem seu pai realmente era. Meu Deus,
pai, você fez isso com pessoas? Sim", admiti, as lágrimas escorrendo pelo meu
rosto. Eu me tornei um monstro, mas agora vou tentar me redimir. Vou expor
tudo. Mas quando isso acontecer, eles virão atrás de vocês. Você precisa pegar
sua mãe e fugir. Para onde? Tenho contatos fora da ordem, pessoas que
podem ajudar. Era mentira. Eu não tinha contatos, mas precisava dar esperança ao
meu filho. Vão para a casa da sua tia no interior. Fiquem lá até eu conseguir
tornar as evidências públicas. E o Pedro? Meu coração se partiu. Pedro
havia sido completamente cooptado pela ordem. Aos 19 anos, já participava
voluntariamente dos rituais menores. Seus olhos haviam adquirido aquela frieza característica dos membros de
longa data. Pedro, Pedro está perdido, admiti. Eles fizeram alguma coisa com a
mente dele. Não posso salvá-lo. Na quinta-feira embarquei para Buenos
Aires, mas em vez de ir para o hotel designado, fui direto para um cybercafé
no centro da cidade. Criei contas de e-mail anônimas, serviços de upload de
arquivos, perfis em redes sociais. Passei a noite inteira subindo as evidências para servidores ao redor do
mundo. Vídeos dos rituais, fotografias dos documentos, listas com nomes de
todos os membros que eu conhecia. Programei tudo para ser publicado automaticamente se eu não fizesse
chequins regulares. Se algo acontecesse comigo, o mundo inteiro saberia da
verdade. Na sexta-feira de manhã, em vez de ir para o local do ritual, fui para o
aeroporto. Comprei uma passagem para o primeiro voo disponível, um destino
aleatório que me levaria para longe da América do Sul. Foi quando meu telefone
tocou. Lucas, a voz de Roberto estava gelada. Onde você está? No hotel. Por
quê? Não minta para mim. Sabemos que você não apareceu para o briefing desta manhã. Sabemos que você não está no
hotel. Meu sangue gelou. Eles já sabiam. Roberto, eu posso explicar. Você cometeu
o maior erro da sua vida, meu velho amigo. Achava que poderia nos trair e escapar impune? Eu não traí ninguém. só
precisava de um tempo para pare de mentir. A voz dele explodiu no telefone.
Já sabemos dos uploads, já sabemos das contas anônimas. Você realmente achou
que não monitorávamos suas atividades online? Meu mundo desabou. Eles sabiam
de tudo. Suas evidências já foram removidas dos servidores. Roberto
continuou. Nossos hackers são muito eficientes e quanto à sua família? Não.
Gritei. Vocês disseram que não fariam mal a ele se eu fosse leal. Você quebrou essa lealdade. As consequências são
suas. A ligação caiu. Corri para o telefone público mais próximo e liguei para casa. Ninguém atendeu. Liguei para
o celular da Márcia. Nada. Para o João, nada. Finalmente consegui falar com um
vizinho. Ah, Lucas, que tragédia terrível. Sinto muito pela sua perda.
Que perda do que você está falando? O acidente, sua esposa e filho. O carro
capotou na estrada. Foi instantâneo, disseram. Pelo menos não sofreram. Cai
de joelhos no meio do aeroporto de Buenos Aires, gritando como um animal ferido. Márcia estava morta. João estava
morto por minha causa, por minha covardia em não agir antes. Mas não
havia tempo para luto. Eu precisava fugir antes que viessem me buscar.
Consegui embarcar no voo usando documentos falsos que eu havia preparado meses antes. Uma precaução que acabou
salvando minha vida. O avião decolou para Lisboa. Durante as 12 horas de voo,
tive tempo para processar a magnitude da minha situação. Minha família estava morta, minhas evidências haviam sido
destruídas e eu era um homem procurado pela organização mais poderosa do mundo.
Em Lisboa, usei contatos do mercado negro para conseguir nova identidade.
Gastei todas as minhas economias em documentos falsos, cirurgia plástica
menor e uma passagem para um país onde eu pudesse desaparecer. Durante os
últimos 3 anos, tenho vivido como fantasma, mudando de país a cada 6
meses, nunca usando a mesma identidade por muito tempo, sempre olhando por cima
do ombro. Eles me procuram constantemente. Já escapei de tentativas de sequestro em
Roma. Paris e Bangkok. Encontrei agentes deles me rastreando em hotéis,
aeroportos, cafés. É uma questão de tempo até me pegarem. Mas antes que isso
aconteça, eu precisava contar minha história. Precisava avisar o mundo sobre
o que está vindo. Os 13 templos estão quase completos. Os últimos relatórios
que consegui interceptar indicam que apenas dois ainda precisam ser
ancorados. Quando isso acontecer, os mestres poderão cruzar permanentemente
para nossa dimensão. A colheita preparatória já começou. Vocês acham que
os eventos dos últimos anos foram coincidência? Pandemias, guerras,
colapsos econômicos, desastres naturais, tudo orquestrado pela ordem? Olhem ao
redor. Vejam como o mundo está se desintegrando. Como as pessoas estão se
tornando mais violentas, mais desesperadas, mais dispostas a aceitar
soluções autoritárias. Isso não é acidente. Prestem atenção aos líderes
mundiais. Quantos deles fazem gestos com as mãos que lembram símbolos maçônicos?
Quantos usam joias com pentagramas invertidos? Quantos têm aqueles olhos
frios, vazios, que eu aprendi a reconhecer? A verdade está escondida à
vista de todos. Vocês só precisam saber onde procurar. Quanto a mim, sei que
meus dias estão contados. Ontem vi dois homens de terno me observando do outro lado da rua. Reconheci o tipo agentes da
ordem. Eles me encontraram novamente, por isso estou gravando esta confissão.
Talvez seja minha última chance de avisar a humanidade. E por 15 anos fui cúmplice da organização mais maligna
que já existiu. Não posso desfazer o que fiz. Não posso trazer de volta as
pessoas que ajudei a purificar. Não posso salvar minha família, mas talvez
possa salvar alguns de vocês. Se estão ouvindo isso, tomem cuidado, questionem
tudo. Não confiem nos líderes, não aceitem as narrativas oficiais. E se
alguém se aproximar de vocês com promessas de poder, conhecimento secreto
ou irmandade especial, não aceitem, porque o que eles oferecem não vale o
preço que cobram. E quando perceberem isso, já será tarde demais. Que Deus me
perdoe e que ele proteja todos vocês do que está por vir. Meu tempo acabou. M.
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