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Um grupo de geneticistas brasileiros
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comparou o DNA do [música] país com o
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dezenas de outras nações e descobriu que
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o Brasil não se [música] parece com
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absolutamente nenhuma delas. Não porque
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a mistura [música] racial seja maior.
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Existe algo na estrutura genética de 215
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milhões de pessoas que quebra uma das
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regras mais sólidas da genética
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populacional. e que colocou os [música]
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próprios cientistas em choque quando
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confrontaram os dados brasileiros com os
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do resto do mundo. Se você acha que sabe
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como funciona a missigenação [música]
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no Brasil? Três povos, uma mistura.
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Ponto final. [música]
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Espere até entender por essa história é
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geneticamente
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muito mais estranha [música] do que
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parece. Por que a genética brasileira
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não segue a mesma lógica que separa
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negros e brancos nos Estados Unidos? E
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como é possível que um morador de Belém
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e um de Porto Alegre, [música] a mais de
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3.000 km de distância tenham uma
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composição genética mais parecida
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[música] entre si do que duas cidades
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vizinhas na Itália.
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Para entender isso, precisamos voltar a
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um momento muit específico da história
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recente do Brasil.
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Quando um grupo de geneticistas [música]
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brasileiros decidiu comparar o perfil
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genômico do Brasil com o de dezenas de
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outros países, eles esperavam encontrar
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algo previsível, um país missigenado,
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claro, uma mistura de três componentes
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ancestrais: [música] europeu, africano,
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indígena, em proporções variáveis,
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[música]
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conforme a região. talvez alguma
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semelhança com outros países
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latino-americanos
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que passaram por processos coloniais
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parecidos. O que [música] eles não
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esperavam era que o Brasil,
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geneticamente falando, não se parece com
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nenhum outro país do planeta.
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Não porque a mistura [música] é maior,
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não porque a diversidade é mais ampla,
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mas porque o padrão [música] da mistura
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é estruturalmente diferente de tudo o
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que aparece em qualquer outra população
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estudada. [música] E a explicação para
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isso mudou a forma como a genética
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enxerga a formação de populações
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inteiras. O estudo que abriu essa porta
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foi publicado por Sérgio Pena e
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colaboradores da Universidade [música]
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Federal de Minas Gerais em 2011 na
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revista Plus One sob o título [música]
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The Genomic Ancestry of Individuals from
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Different Geographical [música] Regions
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of Brasil is more uniform than expected.
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O título [música] em si já é uma
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declaração científica que contradiz o
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senso comum. O que Pena e sua equipe
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demonstraram usando um painel tenso de
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marcadores informativos de
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ancestralidade em quase 1000 indivíduos
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de todas as cinco regiões [música]
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brasileiras. é que quando você olha para
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os brasileiros um a um, em nível
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individual, a composição ancestral é
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surpreendentemente homogênea,
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não no sentido de que todos se parecem,
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no sentido de que [música] quase todos
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carregam os três componentes ancestrais
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em proporções que se sobrepõ muito mais
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do que as diferenças regionais,
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sugeririam.
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Para entender o impacto dessa
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descoberta, considere como funciona a
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ancestralidade genética em outros
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países. Nos Estados Unidos, por exemplo,
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a estrutura genética segue linhas
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[música] de segregação social com
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precisão quase cirúrgica.
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Americanos [música] classificados como
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brancos t em média menos de 4%
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de ancestralidade africana. Americanos
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[música] classificados como negros têm
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em média cerca de 20% de ancestralidade
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europeia. Os dois grupos se sobrepõem
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pouco. A genética espelha a fronteira
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social. [música] São duas curvas em um
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gráfico que mal se tocam. No Brasil,
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quando pena flotou os mesmos tipos de
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dados, as curvas se sobrepuseram quase
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completamente.
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[música] Uma pessoa classificada como
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branca no Nordeste carregava em média
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30% [música] de ancestralidade africana.
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Uma pessoa classificada como parda no
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sudeste poderia ter composição genética
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indistinguível [música]
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de alguém classificado como branco na
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mesma região. As categorias sociais
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[música]
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e as categorias genéticas não se
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alinhavam não parcialmente,
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fundamentalmente. [música]
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Esse resultado não deveria ter
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surpreendido ninguém que conheça
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[música] a história social do Brasil.
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Mas surpreendeu.
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Surpreendeu porque a genética como
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ciência trabalha com modelos e o modelo
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dominante para entender a mistura
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genética era naquela altura fortemente
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influenciado pela experiência americana,
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onde raça como categoria [música] social
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e ancestralidade como categoria
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biológica caminhavam [música] em
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paralelo razoável. O Brasil demonstrou
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que esse paralelismo não é universal,
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que existem formas de missigenação
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[música]
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que são tão profundas e tão difusas que
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dissolvem as fronteiras entre as
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categorias [música]
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antes que elas tenham tempo de se
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consolidar geneticamente. E aqui é onde
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a comparação com o resto do mundo se
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torna genuinamente [música]
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perturbadora. quando pesquisadores
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compilaram dados de ancestralidade de
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dezenas de populações em diferentes
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continentes, usando bancos de dados como
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o Human Genome Diversity Project, do
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Centro [música] Nacional de Pesquisa
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Científica da França, e o projeto 1000
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genomes, [música] coordenado por um
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consórcio internacional.
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O padrão que apareceu foi consistente.
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Na maioria dos países do mundo, a
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composição genética segue uma lógica
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geográfica.
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Populações [música] do norte da Europa
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são geneticamente distintas das do
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Mediterrâneo. Populações do [música]
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leste asiático se agrupam de forma
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diferente das do sudeste asiático. A
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estrutura [música] é contínua, mas
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direcional. Quanto mais longe duas
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populações estão geograficamente,
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mais diferentes são geneticamente.
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Essa regra, conhecida [música] como
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isolamento por distância, é um dos
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princípios mais robustos da genética
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populacional. [música]
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O Brasil quebra essa regra, não
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levemente,
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estruturalmente. [música]
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Quando os mesmos métodos analíticos
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usados para mapear a diversidade
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genética global foram aplicados ao
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Brasil, a estrutura de isolamento por
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distância apareceu atenuada ao ponto de
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quase desaparecer.
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Um morador de Belém, no [música] extremo
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norte e um morador de Porto Alegre, no
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extremo sul, separados por mais de 3.500
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km, compartilham proporções de
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ancestralidade [música]
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que são mais parecidas entre si do que
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as de duas populações europeias
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separadas por 500 km. A distância
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genética interna do Brasil é menor do
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que a distância genética interna da
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Itália. Como isso é possível? A resposta
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está na história migratória brasileira,
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mas não da forma que normalmente
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[música] se conta. A narrativa
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tradicional fala de três ondas:
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indígenas, portugueses, africanos,
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[música] que se encontraram em momentos
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distintos e se fundiram gradualmente.
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Essa narrativa é verdadeira, mas
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incompleta.
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O que realmente produziu [música] a
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homogeneidade genética brasileira não
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foram as três ondas, foi a quarta, a
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migração interna massiva [música] do
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século XX. Pesquisadores do IBGE e
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demógrafos históricos documentaram que
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entre 1940 e 1980, o Brasil experimentou
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uma das maiores reorganizações
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populacionais [música]
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do mundo moderno. Milhões de nordestinos
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migraram para o Sudeste. Sulistas
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colonizaram o Centro-Oeste e o Norte.
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Populações [música] amazônicas foram
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deslocadas por projetos de
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infraestrutura.
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A construção de Brasília, a abertura da
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Transamazônica,
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o ciclo da borracha no Acre, o boom
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industrial de São Paulo. [música] Cada
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um desses eventos moveu centenas de
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milhares de pessoas de um canto do país
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para outro, misturando populações que
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haviam permanecido relativamente
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separadas durante séculos. A genética
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[música] capturou essa movimentação com
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uma precisão que os sensos demográficos
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não conseguem alcançar. Quando
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pesquisadores da USP [música] e da UFMG
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compararam amostras genéticas coletadas
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em diferentes décadas, puderam observar
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[música] em tempo real o efeito da
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migração sobre a composição ancestral
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das cidades. São Paulo, que no início do
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século XX tinha um perfil genético
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fortemente europeu devido à imigração
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[música]
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italiana e japonesa, apresentou nas
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amostras mais recentes [música] um
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aumento significativo nos componentes
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africano e indígena, resultado direto da
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absorção de migrantes nordestinos ao
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longo [música] de 70 anos.
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Manaus, que mantinha um perfil com alta
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ancestralidade indígena, começou a
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apresentar introgressão europeia
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crescente à medida que sulistas se
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estabeleciam [música] na zona franca. O
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mapa genético do Brasil está em
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movimento [música]
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e está convergindo.
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Essa convergência tem um nome técnico na
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genética. Homogeneização por fluxo
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gênico é o processo pelo qual populações
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antes distintas se tornam geneticamente
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mais semelhantes à medida que trocam
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migrantes entre si. acontece em todas as
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espécies, em todos os continentes. Mas a
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[música] velocidade e a escala com que
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está acontecendo no Brasil são, de
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acordo com os [música] pesquisadores
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envolvidos nos estudos, sem precedente
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documentado numa população humana deste
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tamanho. E aqui aparece o resultado que
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surpreendeu os próprios cientistas
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quando o padrão genético brasileiro foi
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projetado nos mesmos gráficos de análise
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[música] de componentes principais
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usados para mapear a diversidade humana
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global. O Brasil não apareceu como um
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ponto, apareceu [música] como uma nuvem,
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uma mancha difusa que se espalhava pelo
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espaço genético entre a Europa, a África
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subsahariana e as Américas [música]
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Nativas, sem se agrupar firmemente em
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nenhum desses polos. Nenhuma outra
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população nacional no banco de dados
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apresentava esse padrão. Países [música]
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como a Colômbia e o México, que também
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são missigenados, [música] apareciam
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como nuvens menores e mais concentradas.
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O Brasil [música] era uma dispersão que
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cobria um território genético que
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nenhuma outra nação ocupa. Os
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pesquisadores interpretaram [música]
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isso de duas maneiras. A primeira é que
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o Brasil é genuinamente único como
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experimento de mistura trilateral em
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escala continental. [música]
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Não existe outro país no mundo onde
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europeus, africanos e indígenas
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americanos se misturaram nesta
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proporção, nesta escala e por este
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período de tempo. A segunda
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interpretação é mais sutil e mais
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importante. [música]
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fato de que os brasileiros individuais
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mostram composições tão variadas,
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[música]
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uns com 70% europeu e 5% indígena,
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outros com 40% africano e 30% europeu
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[música]
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e 30% indígena, mas que o conjunto como
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um todo converge para uma média
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surpreendentemente [música]
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estável, sugere algo sobre a natureza da
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missigenação humana que os modelos
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anteriores não capturavam. [música]
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sugere que a mistura, quando atinge uma
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certa densidade e uma certa escala,
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adquire uma espécie de inércia, um
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equilíbrio dinâmico, onde a diversidade
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[música] individual é alta, mas a
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divergência entre populações tende a
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zero. O Brasil, [música] nos dados
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genéticos, não é um país dividido, é um
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país borrado.
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Fronteiras entre os [música] componentes
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ancestrais existem em cada indivíduo,
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mas não [música] existem entre os
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grupos. E essa é uma condição que a
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genética não encontra em nenhuma outra
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nação [música] contemporânea. Não porque
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outros países não tenham mistura, porque
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nenhum outro país tem este tipo de
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mistura [música] tão profunda, tão
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difusa, tão molecularmente entrelaçada,
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[música] que as categorias que usamos
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para descrevê-la se tornam nos dados
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quase irrelevantes.
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O que resta quando [música] as
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categorias se dissolvem não é
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homogeneidade,
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é complexidade [música] sem rótulo. E
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talvez esse seja o verdadeiro resultado
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que surpreendeu os cientistas. Não que o
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Brasil seja misturado, isso já se sabia,
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mas que o Brasil é misturado [música]
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de uma forma que não tem paralelo, que o
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mapa genético deste país não cabe nos
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modelos que foram construídos para
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descrever qualquer outro, que os
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cromossomos de 215 milhões de pessoas
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contam uma história que ainda não tem
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nome em nenhum manual de genética. Uma
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história que só o Brasil pode contar e
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que os dados [música] finalmente estão
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começando a ouvir.
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