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Em dezembro de 2024, o Ministério
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Público do Rio Grande do Sul deflagrou a
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13ª fase de uma investigação contra
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fraude no leite. A operação leite
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compensado, que já dura mais de uma
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década. 13 fases, um mesmo químico preso
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duas vezes, apelidado de alquimista. O
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crime, soda cáustica, água oxigenada e
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resíduos de pelos indefinidos usados
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para disfarçar leite estragado e
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revender como próprio proconsumo. No
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mesmo período, uma organização inteira
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desmontada em Minas Gerais por vender
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xarope de açúcar como mel puro, crime
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que pode render mais de 20 anos de
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prisão para quem foi pego. E uma lista
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pública de marcas de azeite reprovadas
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em laboratório. Grego Santorini,
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Laventosa, Alonso, entre outras. Todas
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vendidas como extravirgem, todas
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cortadas com óleo mais barato. O azeite,
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segundo o próprio mapa, é o segundo
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alimento mais falsificado do mundo. Só
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perde pro pescado. Três crimes, três
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estados, um padrão só. Talvez você
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esteja com uma xícara de café na mão
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assistindo esse vídeo. Olha para ela.
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Talvez você esteja bebendo casca de pau
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moída, torrada e disfarçada de café. E
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isso não é força de expressão, é o
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número dois dessa lista. Não é boato de
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comentário de rede social, não é
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comparação forçada para chocar. É o que
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os laudos do Laboratório Federal de
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Defesa Agropecuária confirmam, o
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laboratório que a União usa para decidir
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o que é fraude. Hoje vou te mostrar 30
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alimentos que provavelmente estão na sua
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cozinha, na sua geladeira ou na sua
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dispensa agora. Norma por norma, laudo
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por laudo, do caso mais leve até o mais
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grave da lista. No final tem um
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protocolo de quatro passos, sem
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aplicativo, sem laboratório, só o rótulo
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na sua mão, mais dois testes caseiros
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que funcionam e um teste popular de
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internet que não serve para nada. Esse
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vídeo se apoia em normas de identidade e
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qualidade do Ministério da Agricultura.
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São elas que definem por lei o que cada
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alimento precisa ter para usar o nome
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que usa. Também em laudos do Laboratório
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Federal de Defesa Agropecuária, o
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laboratório oficial que decide o que é
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fraude e em resoluções da Anvisa sobre
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aditivos e contaminantes. Tome a isso
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reportagens e boletins oficiais sobre a
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operação leite compensado, pesquisas
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acadêmicas publicadas sobre rotulagem de
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alimentos no Brasil e estudos do
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Instituto Adolfo Lutz, que analisa
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amostras de mercado de forma
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independente da indústria. Número 30, o
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CANI, o palito de caranguejo do sushi. A
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legislação brasileira já exige que o
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rótulo diga a verdade. Produto à base de
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surimi ou sabor imitação de caranguejo.
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Porque aquele palito rosa e branco no
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seu sushi, na maioria das vezes, nunca
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viu um caranguejo de verdade. É peixe
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branco, geralmente merluza ou similar,
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moído até virar pasta e depois moldado,
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corado e aromatizado para imitar a
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textura e o sabor de caranguejo. A
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informação está no rótulo, só que
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ninguém lê. Você paga o preço de um
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prato de frutos do mar e come, na
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prática, peixe barato processado com
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corante rosa numa ponta. Número 29, o
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vinagre. Boa parte do vinagre vendido
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como vinagre de vinho ou de maçã no
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Brasil nunca teve contato com uva ou
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maçã nenhuma. é ácido acético sintético
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diluído em água com corante caramelo
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para imitar a cor do produto fermentado.
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O vinagre de maçã é regulado pela
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instrução normativa número 6 de 2012 do
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mapa, que exige fermentação acética real
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da matéria-prima declarada. O vinagre de
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vinho, por sua vez, cai numa lei à
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parte, a lei 7678
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de 1988.
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Mesmo com regra específica para cada um,
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fiscalizações seguem flagrando garrafas
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rotuladas como vinagre de vinho tinto,
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sem nenhum traço de uva na análise
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laboratorial.
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Isso tem um risco real além do
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econômico. Ácido acético sintético
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produzido sem controle de concentração,
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fora do processo de fermentação
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regulado, pode sair mais forte do que o
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permitido para consumo. E em quantidade
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elevada, ácido acético concentrado é
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corrosivo, podendo causar irritação de
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mucosa na boca e no esôfago. E, em casos
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extremos de exposição à concentração
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muito acima do normal, evoluir para
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quadro grave. Você paga pelo tempo de
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fermentação e leva ácido cortado com
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água colorida. Ficando nos temperos.
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Número 28, o orégano. Estudos
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independentes de análise de especiarias
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já flagraram em amostras compradas no
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varejo brasileiro, misturas de orégano
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com folhas de outras plantas moídas
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junto, só para completar o volume do
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pacote. Depois de triturada, a folha é
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praticamente impossível de auditar a
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olho nu. O padrão de identidade de
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especiarias do mapa prevê limite de
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impurezas justamente para isso. Mas a
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fiscalização de rotina em especiaria
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moída segue rara. Quanto menor o
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potinho, menor a chance de alguém checar
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o que tem dentro dele. Do orégano para
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outro tempero moído. Número 27, a
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pimenta do reino. O grão inteiro é caro
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e rastreável. Moído vira pó
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indistinguível. E é aí que entra a
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mistura de cascas, talos e sementes de
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outras plantas trituradas junto. Só para
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engordar o peso sem engordar o custo da
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matéria-prima.
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Você paga pelo grão nobre, selecionado e
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seco no ponto certo e leva resíduo
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agrícola disfarçado de tempero fino.
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Número 26, a farinha de mandioca. Base
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da farofa de domingo e do acompanhamento
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de feijoada é alimento que muitas
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famílias usam como base calórica barata
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do dia a dia. Uma fração relevante da
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farinha vendida a granel ou em embalagem
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sem procedência clara é misturada com
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amido de milho ou de batata, mais
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barato, sem declaração nenhuma no
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rótulo, o que muda o perfil nutricional
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do produto e configura tecnicamente
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fraude por adulteração de composição. O
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agravante é sistêmico. Farinha vendida a
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granel em feira, sem marca e sem lote,
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praticamente não passa por fiscalização
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de rotina, o que faz dela um dos
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alimentos mais vulneráveis à adulteração
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silenciosa, justamente entre as famílias
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que mais dependem dela como base da
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semana, trocando para um produto
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industrializado bem diferente, número
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25, o extrato de tomate. A legislação da
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Anvisa exige que o extrato de tomate
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contenha, no mínimo, 6% de sólidos
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solúveis naturais provenientes da polpa
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do fruto, o chamado grau bricks, que
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mede exatamente quanto de tomate de
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verdade está concentrado ali dentro.
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Estudos independentes que testaram
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marcas comercializadas no Brasil já
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encontraram amostras abaixo desse mínimo
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legal, sinal de excesso de água na
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diluição ou de reforço com amido para
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disfarçar a consistência. O mecanismo é
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simples. Quanto mais água entra na
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receita, menos tomate real precisa ser
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comprado. E a diferença nunca aparece
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escrita na embalagem, só no laboratório.
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Número 24, a canela em pó. Existem duas
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espécies vendidas sob o mesmo nome. A
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cinamomum Verum, a canela verdadeira, e
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a cinamomum Cásia, mais barata, mais
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forte no sabor, com teor bem mais alto
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de cumarina, substância que em excesso
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sobrecarrega o fígado. A legislação
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brasileira não obriga distinção clara
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entre as duas no rótulo. Então a cásia
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domina silenciosamente as prateleiras
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vendidas, genericamente como canela em
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pó. Autoridade europeia de segurança
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alimentar já fixou um limite de ingestão
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tolerável de cumarina. Uma única colher
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de chá de canela de cásia em uso diário
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já é capaz de se aproximar desse limite.
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Justamente o padrão de quem trata a
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canela como hábito de rotina no café da
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manhã. O agravante não está numa colher,
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está em anos de colheres repetidas. E o
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próximo também usa a cor para enganar,
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só que aqui a cor custa mais caro que
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carne. Número 23. O açafrão em pó é a
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especiaria mais cara do mundo por peso
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e, por isso mesmo, a mais adulterada. O
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que chega no potinho raramente é açafrão
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puro, geralmente é cúrcuma ou outra
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especiaria barata misturada a corante
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artificial, muitas vezes tartrasina,
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código INS102,
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para imitar aquele amarelo intenso. Aqui
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entra o primeiro legal aqui, banido lá
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fora da lista. Na União Europeia, a
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Tartrasina exige advertência obrigatória
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no rótulo, informando possível efeito
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sobre atividade e atenção em crianças.
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No Brasil, essa exigência nunca passou
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de projeto de lei, nunca virou obrigação
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vigente. O mesmo corante que carrega
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alerta lá fora chega aqui sem aviso
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nenhum, na mesma prateleira, pro mesmo
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consumidor. Número 22, o pão integral. A
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palavra integral parecia garantia. até
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uma investigação do IDEC levar duas
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marcas líderes de mercado, Nutrella e
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Wickbold, a serem formalmente
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questionadas pela Anvisa. Mesmo
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estampando 100% integral na embalagem, a
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proporção real de ingrediente integral
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variava entre 37,9%
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e 65,9%
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do produto, bem longe do 100% impresso
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na frente do pacote. Foi justamente esse
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tipo de caso que motivou a Anvisa a
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publicar. em 2023, uma resolução
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exigindo que produtos com menos de 30%
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de ingrediente integral não possam mais
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usar a palavra integral na embalagem e
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que os que usam informem o percentual
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real. Você paga o preço de um pão
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pensado para ser mais saudável, cheio de
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fibra, e pode estar levando um pão
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majoritariamente feito de farinha branca
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comum, com um punhado de grão integral,
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só para justificar o nome no rótulo.
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Número 21. A castanha do Pará carrega
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imagem de super alimento amazônico, rico
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em selênio. O problema não é a castanha
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em si, é o que cresce dentro dela quando
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o armazenamento é mal feito, comum em
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clima úmido. Fungos do gênero aspergilos
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produzem aflatoxinas, substâncias
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classificadas pela Agência Internacional
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de Pesquisa em Câncer, como
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cancerígenas. O Brasil já registrou
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lotes reprovados por ultrapassar o
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limite de aflatoxina fixado pela Anvisa,
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originalmente pela RDC7 de 2011, hoje
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substituída pela instrução normativa 160
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de 2022, que atualizou os limites
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máximos tolerados de micotoxinas em
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alimentos. E aqui vem o segundo legal
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aqui, banido lá fora. Parte da castanha
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reprovada nos padrões europeus mais
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rígidos acaba redirecionada pro consumo
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interno, porque o limite tolerado no
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Brasil é mais alto do que o exigido pela
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União Europeia. Você compra o
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superalimento pensando em prevenção e
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pode estar recebendo de volta o próprio
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contaminante que ele deveria
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neutralizar.
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Número 20, o suco de laranja integral.
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A palavra integral tem definição legal.
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Suco extraído direto da fruta, sem
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adição de água. Mesmo assim, é comum
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encontrar no mercado produtos rotulados
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como integral, que em análise mostram
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diluição com água e adição de açúcar
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para compensar o sabor enfraquecido.
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Famílias que trocam refrigerante por
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suco integral, pensando em oferecer algo
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mais saudável, podem estar servindo água
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adocicada com resíduo de fruta de
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verdade.
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Número 19. A água mineral engarrafada.
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Parece o item mais simples do mercado.
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Água é água. Só que existe um esquema
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conhecido como clonagem de água mineral.
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garrafas de marcas famosas recolhidas
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informalmente, reenchidas com água comum
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tratada de forma precária, recolocadas
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no mercado com lacre falsificado. O
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risco aqui não é só econômico, é
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sanitário. Água reenchida sem controle
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pode carregar contaminação
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microbiológica que nenhum sentido humano
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detecta pelo sabor, cheiro ou aspecto da
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garrafa.
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Número 18, oab.
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Aquela pasta verde vibrante ao lado do
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seu sushi, quase nunca é wasabi de
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verdade. A planta genuína, a wasábia
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japônica, é rara, cara e perde o sabor
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cerca de 15 minutos depois de ralada.
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Inviável para qualquer restaurante fora
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do Japão manter em escala. O que
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realmente vem no tubo ou na bolinha
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verde é raiz forte, mostarda e corante
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misturados para imitar cor e ardência.
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Isso não é exclusividade de restaurante
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ruim, é praticamente universal no
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mercado brasileiro de sushi. Você paga
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achando que está sentindo o ardor de uma
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raiz rara japonesa e está na real
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sentindo mostarda com corante verde,
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saindo da comida e entrando na academia.
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Número 17, o Way Protein. Uma análise da
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Associação Brasileira de Empresas de
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Produtos Nutricionais, testou 124
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suplementos proteicos vendidos no país e
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encontrou indícios de uma prática
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chamada amino spiking, adicionar
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aminoácidos livres, muito mais baratos
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que a proteína do soro do leite, só para
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inflarmente.
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O teor de proteína medido no teste
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padrão de rótulo. Em 39% dos produtos
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analisados, você paga pelo preço de
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proteína pura para ganho muscular e pode
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estar consumindo, em boa parte da dose,
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carboidrato barato disfarçado de
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aminoácido. Número 16, a cobertura sabor
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chocolate. No Brasil, para se chamar
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chocolate, a Anvisa exige mínimo de 25%
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de sólidos de cacau. Antes de 2005 era
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32%.
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Com o cacau mais caro, a indústria
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reduziu o teor e compensou com açúcar e
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gordura mais barata, perdendo o direito
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de usar a palavra chocolate. É por isso
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que bombom, wafer e barra de cereal
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estampam em letra pequena sabor
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chocolate em vez de chocolate. E quase
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ninguém nota essa palavra que muda tudo.
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Você paga o preço psicológico de
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chocolate de verdade e leva tecnicamente
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um produto que a própria lei não deixa
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mais chamar de chocolate. Número 15, o
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achocolatado em pó. Provavelmente o
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alimento mais consumido por criança em
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idade escolar no Brasil, todo dia no
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café da manhã. O padrão permite teor de
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cacau bem mais baixo do que exigido para
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chocolate em pó. E as marcas populares
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operam no piso mínimo, compensando com
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açúcar e corante. Teste caseiro que
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funciona. Chocolate de verdade derrete
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na pele porque a manteiga de cacau tem
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ponto de fusão próximo à temperatura do
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corpo. Cobertura de gordura vegetal fica
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sólida na mão mesmo depois de um tempo.
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Simples e imediato. Se sua forma de
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olhar pro rótulo já mudou até aqui, essa
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é a hora de se inscrever. Toda semana a
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gente cruza norma, laudo e operação real
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para mostrar o que a indústria não
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coloca em letra grande. Voltando à
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lista, número 14, o camarão congelado. A
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lei permite até 20% de glaceamento a
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camada de gelo protetora, no peso do
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camarão congelado. Testes já encontraram
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lotes passando de 25%, com peso líquido
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real abaixo do declarado em quase todas
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as amostras de pelo menos uma marca
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testada. É gelo vendido como camarão.
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Você paga o quilo e parte desse peso
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derrete na pia antes de ir pra panela.
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Número 13. O peixe vendido como outra
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espécie. Testes de DNA do Ministério da
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Agricultura acharam entre 15% e 24% das
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amostras de pescado como espécie
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diferente da informada. Geralmente peça
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mais barata no lugar da nobre. Casos
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mais comuns: linguado trocado por panga,
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peixe de cultivo vietnamita e bacalhau
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do porto substituído por polaca do
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Alaska. No Distrito Federal, uma
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distribuidora vendia panga como linguado
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para hipermercados de bairro nobre sem
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registro sanitário. Você paga o preço do
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peixe nobre e leva uma espécie de
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cultivo mais barata, só com o nome
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errado na etiqueta. Número 12, a carne
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mecanicamente separada. A CMS dos
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nuggets, salsichas e linguiças.
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Instrução normativa 4 de 2000 do mapa
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permite esse ingrediente em produtos
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cárneos até 60% em salsicha, 20% em
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linguiça calabresa. Desde que o rótulo
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declare carne mecanicamente separada de
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mais a espécie. É carne raspada dos
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ossos após a desossa, moída até virar
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pasta. O problema é composição. Por lei,
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a CMS pode ter só 12% de proteína contra
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até 30% de gordura, bem mais pobre do
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que a carne inteira que a embalagem
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sugere. Você paga preço de carne e leva
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ossos raspados até virar pasta,
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declarado no rótulo em letra que quase
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ninguém lê.
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Número 11, o sorvete. A fralde está no
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nome. Por lei, um produto só pode se
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chamar sorvete se tiver no mínimo 3% de
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gordura láctea.
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Abaixo disso, é obrigado a se chamar
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sobremesa lá. Só que essa palavra
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costuma vir escondida em letra miúda
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embaixo do nome chamativo da marca,
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enquanto o rótulo principal grita
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sorvete de creme ou o sabor, sem deixar
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claro que é outra categoria de produto.
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Duas dicas rápidas para não cair nessa.
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Primeiro, confere se os primeiros
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ingredientes da lista são leite ou creme
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de leite. Se for água, açúcar ou soro de
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leite no topo, é sobremesa disfarçada.
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Segundo sorvete de verdade pesa mais. Um
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pote de 2 L de sorvete genuíno costuma
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pesar bem mais que o mesmo volume de
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sobremesa aerada com ar.
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Número 10, os embutidos, mortadela e
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presunto. Grande parte das marcas de
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frios pertence a um punhado de
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conglomerados frigoríficos. Marcas con
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correntes lado a lado na prateleira
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podem sair da mesma linha de produção. O
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problema recorrente é água e amido acima
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do limite legal, aumentando o peso sem
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aumentar a carne real. Você acha que
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escolhe entre dois fabricantes e paga a
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carne processada levando água e amido
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embutidos na fatia? Número o doce de
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leite.
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Um levantamento da Universidade Federal
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de Juiz de Fora achou 95% das amostras
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de doce de leite em desacordo com a lei,
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teor gordura e proteína abaixo do
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exigido, sinal de diluição com mais água
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e açúcar. Esse número mostra um problema
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quase generalizado, não fraude pontual
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de uma marca. Você paga pelo doce feito
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de leite reduzido lentamente e pode
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levar uma versão diluída com açúcar,
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disfarçando a falta de sólidos. Número
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oito, o queijo parmesão ralado. Parmesão
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de verdade é caro pela maturação longa.
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O ralado industrializado é um dos
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produtos mais fraudados do setor de
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laticínios no mundo, com celulose, fibra
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vegetal que estica o rendimento sem
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aumentar o queijo real. Você paga pelo
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queijo maturado por meses e recebe no
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fundo do potinho queijo diluído com
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fibra sem nenhum valor nutricional
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equivalente. Número sete, a manteiga.
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Carrega a imagem de produto nobre oposto
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da margarina. Você paga o preço da
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gordura animal pura e pode estar levando
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margarina disfarçada com o nome mais
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nobre do corredor de frios. Número seis,
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o requeijão cremoso. Item quase
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obrigatório no café da manhã brasileiro.
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Mesmo mecanismo da manteiga, gordura lá
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trocada por vegetal mais barata.
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Consumido diariamente, inclusive por
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crianças, na lancheira escolar, todo dia
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útil do ano. Você paga pelo creme de
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leite genuíno e leva todo dia útil do
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ano uma versão parcialmente vegetal do
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mesmo pote. Número cinco, o queijo
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mussarela. Um dos queijos mais
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consumidos do Brasil, base de pizza e
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sanduíche. A adulteração mais comum é
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água e amido acima do permitido,
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aumentando o rendimento sem aumentar o
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queijo real. Única forma de sustentar
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preço bem abaixo da média. Você paga
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pelo quilo de queijo maturado e leva
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proporcionalmente água e amido pesados
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junto na balança do açogue. Agora
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entramos nos quatro últimos, os mais
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graves da lista inteira. Número quatro,
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o leite é o item que menos levanta
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suspeita, comprado todo dia pra família
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toda. É também a investigação mais longa
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da lista. A operação leite compensado já
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vai na 13ª fase, mais de uma década
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contra o mesmo crime no mesmo estado. A
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primeira fase, em 2013, achou
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transportadoras adicionando ureia
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agrícola com formolígeno,
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segundo a OMS, para disfarçar a diluição
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com água. A fraude aumentava o lucro em
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10% por litro, numa escala estimada em
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100 milhões de litros adulterados no ano
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anterior. O esquema não parou de
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evoluir. Fase 3, água oxigenada. Fase 4,
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meia tonelada de soda cáustica
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apreendida. Fase 5, soda cáustica e
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bicarbonato. E a primeira prisão do
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alquimista, o mesmo personagem da fase
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mais recente. Fase oito, tentativa de
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leite com larvas. Fase 9, leite azedo
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revendido. Fase 11, primeiros coliformes
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fecais com amido disfarçando a diluição.
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Em dezembro de 2024, a fase 13 prendeu
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de novo o alquimista, já proibido pela
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justiça de trabalhar em laticínios,
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esperando há 10 anos um julgamento final
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e uma tornozeleira eletrônica nunca
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instalada. Ele fabricava em taquara
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leite UHT, leite em pó e soro com soda
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cáustica. que evapora rápido o
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suficiente para escapar dos testes e
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água oxigenada mascarando contaminação
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com pelos indefinidos nas embalagens.
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Usavam códigos como vitamina e receita
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nas conversas. A fábrica distribuía pro
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Brasil inteiro e paraa Venezuela e tinha
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vencido licitação para escolas
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paulistas. O agravante é sistêmico e
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recorrente. Mais de uma década, o mesmo
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criminoso preso, solto e voltando a
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adulterar leite duas vezes. Você paga
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pelo litro pensando em nutrição básica e
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pode levar produto ajustado por alguém
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apelidado literalmente de o mago do
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leite. O próximo já não é mais fraude de
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composição, é crime organizado. Número
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três, o mel puro não é suposição, é
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resultado da operação xarope e xarope 2
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da Polícia Federal com o mapa em
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Campestre, Minas Gerais, que
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desmantelaram uma organização fraudando
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mel com xarope de açúcar invertido,
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barato e sem diferença perceptível de
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sabor. Um esclarecimento. A internet tem
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testes caseiros para mel que não
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funcionam. Água, chama, iodo, mel com
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xarope passem todos sem problema. A
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única detecção confiável é o teste de
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açúcar C4 em laboratório, o mesmo do
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mapa. Desconfie do truque infalível
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tanto quanto do mel. O agravante
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ultrapassa a esfera regulatória. Os
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envolvidos respondem por crimes de
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organização criminosa, a falsificação de
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registro federal, crime organizado
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guardado num pote no mercado do seu
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bairro.
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Número dois, o café torrado e moído. Na
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operação Valoriza, o mapa mobilizou 16
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auditores federais e achou mais de 26
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marcas irregulares. Fábricas com grãos
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substituídos por casca e pau do
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beneficiamento torrados junto como grão
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legítimo. O limite legal é 1% de
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impureza. Mesmo assim, seguiu aparecendo
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acima disso, levando a recolhimento
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nacional. Café é hábito diário, muitas
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vezes múltiplas xícaras ao longo de
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anos. Consumo repetido de um produto que
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em parte dos lotes nunca foi 100% café.
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E chegamos ao número um, o mais
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confiado, o mais reconhecido, aquele que
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ninguém desconfiaria, o azeite de oliva
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extravirgem. O mapa já publicou lista
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oficial com 12 marcas de azeite
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desclassificadas por fraude, com óleo
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vegetal de origem desconhecida.
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geralmente soja, misturado ao produto
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vendido como extravirgem. O próprio mapa
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reconhece que o azeite é o segundo
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alimento mais fraudado do mundo, atrás
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apenas do pescado. E não é só marca
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pequena. Em 2026, uma ação civil pública
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do MPF levou o LFDA a reanalisar marcas
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conhecidas: Andurinha, Galo, Borges,
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Gomes da Costa, Felipo Bério, Carrefur.
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Resultado preliminar: Extravirgem
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reclassificado como azeite virgem,
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categoria inferior. Costa d'oro e terras
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de Camões foram além, classificadas como
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lampante, imprópria pro consumo direto.
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O mapa avisa que o resultado é
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preliminar, sujeito à contraprova. O
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agravante de arbitragem regulatória aqui
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é máximo. Quase a totalidade do azeite
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vendido no Brasil é importado, o que
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significa que a fraude pode acontecer no
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país de origem, no transporte ou já em
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território nacional, com pouquíssima
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rastreabilidade real até a garrafa
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chegar na sua mesa. Segundo teste
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caseiro, esse sim com embasamento
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técnico, azeite extravirgem genuíno,
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rico em polifenóis, provoca ardência
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característica na garganta quando
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provado puro. Não é prova definitiva,
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mas azeite sem ardência nenhuma, com
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sabor neutro e liso, é sinal de que tem
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pouco ou nada de oliva de verdade. É
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indicador, não veredito, mas bem mais
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confiável que qualquer truque de mel.
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Você paga o preço mais alto do corredor
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de olhos, achando que leva o mais puro e
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leva o alimento com o histórico mais
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robusto de fraude do país. O padrão que
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conecta esses 30 alimentos não é falta
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de lei, é a distância entre a lei
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existir no papel e a fiscalização cobrir
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o tamanho do mercado brasileiro.
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Mas nem toda a prateleira engana o tempo
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todo. Existem sinais concretos de que um
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produto está fora dessa lógica de
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diluição. O selo de inspeção federal, o
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CF, em produto de origem animal, exige
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rastreabilidade obrigatória desde a
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origem até o abate ou processamento.
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Certificação orgânica de organismo
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credenciado, como IBD ou Ecocert, exige
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auditoria real de produção, não só uma
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palavra impressa no rótulo e denominação
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de origem usada em alguns queijos e
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vinhos, amarra o produto a uma região e
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a um processo fiscalizado, dificultando
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a diluição em escala industrial. Nenhum
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desses selos é garantia absoluta
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sozinho, mas cada um representa uma
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camada de auditoria que a maioria dos
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produtos dessa lista simplesmente não
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tem. Antes de fechar, o protocolo de
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quatro passos mais os dois testes
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caseiros que você acabou de ver.
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Primeiro, desconfie de preço muito
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abaixo da média da categoria. Segundo,
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leia a lista de ingredientes, não só o
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nome do produto. Terceiro, verifique
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selo de inspeção federal ou registro
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claro de procedência. Quarto, se
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perceber sabor, cor ou textura
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estranhamente diferente entre uma compra
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e outra da mesma marca, guarde a
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embalagem, fotografe o lote e registre a
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denúncia no FalaAB. Vá até sua dispensa
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agora. Pega o vinagre, o achocolatado, o
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parmesão ralado e lê a lista de
29:15
ingredientes. Amido, celulose ou corante
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caramelo onde não deveria. Você já sabe
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o que significa. Compartilha esse vídeo
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com aquela pessoa da sua família que faz
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a compra da casa, achando que está
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acertando na marca mais conhecida. Ela
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provavelmente está no mercado nos
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próximos dias. E esse vídeo muda
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exatamente o que ela vai colocar no
29:36
carrinho.
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